Dorada tristeza/ Art by Independent Artists

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Saúde

Quarentena piora problemas psicológicos

Dorada tristeza/ Art by Independent Artists
Por Gracciella Barros

editoria@floridareview.com

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as incertezas provocadas pelo COVID-19, os riscos de contaminação e a obrigação de isolamento social podem agravar ou gerar problemas mentais.

Em isolamento social, desde março, o mundo vive os efeitos das medidas tomadas como prevenção contra o Coronavírus, que já soma mais de quatro milhões de infectados e 294 mil mortes.

A quarentena expôs o mundo a novos comportamentos como a ampliação do trabalho home office, maior higienização e cuidados de limpeza, mas, também, potencializou comportamentos obsessivos e compulsivos, que devem ser tratados imediatamente.

 Quarentena é um período de isolamento e restrição de movimentação de pessoas, que foram potencialmente expostas a uma doença contagiosa. O objetivo é, nesse período, determinar se eles se sentem mal ou se desenvolvem sintomas, o que reduz o risco de infectar outras pessoas.

Para esclarecer sobre os efeitos da quarentena no comportamento da população e quais as melhores formas de lidar com o isolamento, ouvimos a Mestre em Psicologia, Rosa V. Pereira, que atua na Insight Behavioral Center, em Miami:

  1. Quais principais distúrbios psicológicos têm se desenvolvido devido à quarentena, imposta para evitar a propagação do COVID-19?

A pandemia do COVID-19 e a crise econômica, que a segue, afetaram negativamente, não somente a saúde mental de muitas pessoas, como também criaram mais stress, para quem já sofria de algum tipo de distúrbio mental e/ou de uso de substâncias entorpecentes.

À medida que a pandemia avança, é provável que o impacto na saúde mental da população seja ainda maior, devido aos procedimentos necessários para retardar a propagação do vírus, como distanciamento social, fechamento de comércio, empresas e escolas, que, consequentemente, levam a um maior isolamento e potenciais dificuldades financeiras.

Distúrbios psicológicos, frequentemente relatados em decorrência da quarentena, são: Depressão, Ansiedade e aumento no uso de substâncias entorpecentes.

  1. As doenças de origem hereditária podem ser potencializadas pelo confinamento?

O homem é um ser social. O confinamento pode ter impacto potencializador de muitas doenças de ordem mental, de modo geral. O confinamento pode gerar muito stress, o que pode ocasionar sentimentos de solidão, ansiedade e até depressão.

  1. Há uma procura maior por apoio psicológico?

Com certeza a procura por terapia vem aumentando. Os principais motivos para busca por terapia são: o confinamento, medo do futuro e o aumento do desemprego. Nossos clientes sentem que suas vidas estão fora de controle e precisam de ajuda, para ajustarem-se à essa nova realidade.

  1. É possível dizer que haverá uma mudança comportamental de toda a sociedade após os períodos de quarentena?

Após a quarentena, teremos que adaptar-nos à nova normalidade. Pesquisadores afirmam que ainda precisaremos lidar com o distanciamento social por algum tempo, o que, por si só, já afeta nosso comportamento em sociedade. Geralmente, após situações traumáticas, como a que estamos enfrentando agora, indivíduos relatam crescimento pessoal e resiliência, provenientes dessa dificuldade.

  1. O que podemos fazer, durante e após o período de quarentena, para evitar ou, pelo menos, amenizar problemas como depressão, ansiedade e estresse, entre outras de fundo emocional?

Para amenizar os efeitos da quarentena, podemos começar planejando o que é possível, como, por exemplo, a compra de alimentos, medicamentos e outros produtos através dos serviços de entrega. Esse planejamento traz a sensação de segurança.Tratar de limitar a exposição à mídia em geral. Embora seja importante estar informado, evite estar constantemente atualizando informações. Esse comportamento pode agravar sentimentos de solidão e desespero. Procurar mudar alguma coisa em sua rotina: acender uma vela, escutar música, ou procurar relaxar com um longo banho. Comunicação é outro aspecto importante.  Tente usar as palavras de forma consciente.  Uma mudança sutil, como, por exemplo: “Estou preso em casa”, para: “Estou me cuidando em casa”, podem ajudar na mudança de perspectiva.

  1. Acredita que o atendimento psicológico via internet será maior a partir do COVID-19?

Na verdade, antes do COVID-19, já existia um movimento em direção à terapia online. Muitos psicólogos já aderiram ao Instagram e outras plataformas online. Acredito que a terapia presencial não irá desaparecer, pois temos a necessidade, especialmente no tocante à população de alto risco. Muitos estudos estão sendo feitos para avaliar a eficácia da terapia online e os resultados são positivos e encorajadores.

Psicóloga Rosa V. Pereira
Psicóloga Rosa V. Pereira

*Rosa V. Pereira é fundadora e diretora administrativa do Insight Behavioral Center. Ela nasceu na Argentina e cresceu no Brasil. Formou-se em Psicologia, pela Albizu University, e, mais tarde, concluiu, na mesma universidade, com maior distinção, Mestrado em Psicologia, com concentração em Casamento e Terapia Familiar. No último ano, trabalhou com terapias focadas no trauma, atendendo vítimas de crimes, principalmente violência doméstica. Ela é certificada em coaching de vida e outras terapias comportamentais.


Quarantine worsens psychological problems

According to the World Health Organization (WHO), the uncertainties caused by COVID-19, the risks of contamination, and the obligation of social isolation can aggravate or generate mental problems.

In social isolation, since March, the world has been experiencing the effects of measures taken as prevention against the Coronavirus, which already has more than four million infected and 294 thousand deaths.

The quarantine exposed the world to new behaviors such as the expansion of home office work, greater hygiene, and cleaning care, but it also potentiated obsessive and compulsive behaviors, which must be dealt with immediately.

Quarantine is a period of isolation and restricted movement of people, who have been potentially exposed to a contagious disease. The goal in this period is to determine whether they feel bad or develop symptoms, which reduces the risk of infecting others.

To clarify about the effects of quarantine on population behavior and what are the best ways to deal with isolation, we listened to the Master in Psychology, Rosa V. Pereira, who works at the Insight Behavioral Center, in Miami:

  1. What major psychological disorders have developed due to quarantine, imposed to prevent the spread of COVID-19?

The COVID-19 pandemic and the economic crisis, which followed, negatively affected not only the mental health of many people but also created more stress for those who already suffered from some type of mental disorder and/or substance use narcotics.

As the pandemic progresses, the impact on the population’s mental health is likely to be even greater, due to the necessary procedures to slow the spread of the virus, such as social detachment, closing trade, companies, and schools, which, consequently, lead to greater isolation and potential financial difficulties.

Psychological disorders, often reported as a result of quarantine, are Depression, Anxiety, and increased use of narcotic substances.

  1. Can diseases of hereditary origin be enhanced by confinement?

Man is a social being. Confinement can have a potential impact on many mental illnesses in general. Confinement can generate a lot of stress, which can cause feelings of loneliness, anxiety, and even depression.

  1. Is there a greater demand for psychological support?

Surely the demand for therapy has been increasing. The main reasons for seeking therapy are confinement, fear of the future, and rising unemployment.

Our customers feel that their lives are out of control and need help to adjust to this new reality.

  1. Is it possible to say that there will be a behavioral change in the whole society after the quarantine periods?

After quarantine, we will have to adapt to the new normality. Researchers say that we will still need to deal with social distance for some time, which, in itself, already affects our behavior in society.

Generally, after traumatic situations, such as the one we are facing now, individuals report personal growth and resilience, stemming from this difficulty.

  1. What can we do, during, and after the quarantine period, to avoid or, at least, alleviate problems such as depression, anxiety, and stress, among others with an emotional background?

To mitigate the effects of the quarantine, we can start by planning what is possible, such as, for example, the purchase of food, medicine, and other products through delivery services. This planning brings a sense of security.

Try to limit exposure to the media in general. While it is important to be informed, avoid constantly updating information. This behavior can aggravate feelings of loneliness and despair.

Try to change something in your routine: light a candle, listen to music, or try to relax with a long bath.

Communication is another important aspect. Try to use words consciously. A subtle change, such as, “I am stuck at home”, to: “I am taking care of myself at home”, can help change the perspective.

  1. Do you believe that psychological assistance via the Internet will be greater from COVID-19?

In fact, before COVID-19, there was already a move towards online therapy. Many psychologists have already joined Instagram and other online platforms.

I believe that face-to-face therapy will not disappear, as we have a need, especially concerning the high-risk population.

Many studies are being done to assess the effectiveness of online therapy and the results are positive and encouraging.

Psicóloga Rosa V. Pereira
Psicóloga Rosa V. Pereira

* Rosa V. Pereira is the founder and administrative director of the Insight Behavioral Center. She was born in Argentina and grew up in Brazil. He graduated in Psychology at Albizu University and later concluded, at the same university, with greater distinction, a Master’s Degree in Psychology, with a concentration in Marriage and Family Therapy. In the last year, he worked with therapies focused on trauma, assisting victims of crimes, mainly domestic violence. She is certified in life coaching and other behavioral therapies.

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