Por Dani Silvério & Franciele Becuzzi
A passagem de João Fonseca pelo Miami Open 2026 chegou ao fim diante de Carlos Alcaraz, mas o jovem brasileiro deixou a quadra de cabeça erguida — e com muito a dizer sobre o que enfrentou do outro lado da rede.
Em coletiva de imprensa após a partida, Fonseca foi direto ao analisar as dificuldades impostas pelo espanhol. Para ele, o maior desafio foi a imprevisibilidade do jogo de Alcaraz. “Ele quebra muito o ritmo. Tem slice, tem topspin, vai mais para o tornozelo, então tem um pouco de tudo. Você não sabe o que vem — se é um saque, um saque e voleio, se ele vai sacar aberto e fazer um golpe atrasado. Você simplesmente não sabe”, afirmou o brasileiro.
Diante de um adversário tão versátil, Fonseca reconheceu que a margem para erro era mínima. “Precisava jogar quase um jogo perfeito. Tentei ao máximo, tentei criar oportunidades, mas quando tive um break point, errei o retorno ou ele sacou bem. Essas são oportunidades que não posso desperdiçar.”
O jogo reuniu mais de 17 mil torcedores — recorde de público na edição deste ano — e a atmosfera foi um capítulo à parte. “Foi incrível. Que torcida fantástica. É sempre ótimo jogar contra alguém muito bom, com grande carisma, e ter a arquibancada assim. Acho que era algo como 60 a 40 a meu favor”, disse Fonseca, que, quando esta repórter sugeriu 70%, olhou surpreso, riu e concordou: “70%? Sim, algo assim.” Do outro lado, Alcaraz não se sentiu pressionado pelo apoio maciço ao brasileiro. “Não senti que o público estava contra mim, apenas apoiando o João. A atmosfera foi incrível para uma segunda rodada.”
O espanhol também não poupou elogios ao jovem carioca de 18 anos, afirmando ter ficado genuinamente surpreso com a capacidade de Fonseca de cravar winners de qualquer ponto da quadra. Para quem já enfrentou Djokovic, Sinner e Zverev em finais de Grand Slam, é um elogio que diz muito. Alcaraz foi além e fez um alerta para o entorno do brasileiro: a expectativa em torno de Fonseca já é muito grande, e isso pode ser um peso desnecessário para alguém que ainda está construindo seu jogo. “O ideal é deixar o jogador evoluir sem a obrigação de ganhar tudo”, afirmou — um recado direto para imprensa, torcida e federações.
Perguntamos a Fonseca como ele tem lidado emocionalmente com toda essa pressão. “Tento lidar da melhor forma possível. Entendo as dificuldades, né? Depois de ter feito um bom jogo contra o Sinner, ter que provar que estou ali… mas óbvio que não devo nada a ninguém. Estou jogando o meu tênis, feliz, fazendo o meu.” A chave, para ele, tem sido a mentalidade de aproveitar cada momento. “Entrei em quadra para desfrutar, para vivenciar esse momento jogando contra o número um do mundo, sem medo. Acabou que não consegui, mas saio feliz pela experiência.”
Após dez dias intensos com batalhas contra Sinner e Alcaraz, o tenista saiu mais confiante. “Sei que o nível pode estar próximo, mas temos que buscar mais constância. Esses caras não dão bola de graça — acertam as soluções, fazem o adversário jogar todas as bolas.”
Na noite anterior à partida, Alcaraz não estava estudando estatísticas. Estava assistindo Luka Dončić jogar pelo Los Angeles Lakers. O espanhol contou que admira atletas de alto nível de outros esportes — um traço que aparece com frequência em grandes campeões, e que diz muito sobre quem ele é como competidor.
Mesmo sem um final feliz, como o próprio Fonseca definiu, os dois protagonizaram uma das noites mais memoráveis do torneio. E o Brasil inteiro estava lá, nas arquibancadas e nas telas, para testemunhar.
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