Por Claudia Zogheib
A cada ano que passa os números alarmantes de transtornos mentais evidenciam o quanto precisamos cuidar da nossa saúde mental.
Convivemos com sintomas que anunciam o quanto necessitamos olhar para nós mesmos e que denunciam que seu excesso atravessa a linha tênue do suportável, paralisando de tal modo a comprometer o nosso ser no mundo.
O mal estar narra e denuncia um sofrimento, e seja ele qual for, ou seja, o tipo de transtorno que padecemos, tendo um nome ou não, nos força parar o que estamos fazendo adentrando o sofrimento na tentativa de nomear, clareando sua origem e condução. Este parar para falar sobre e tratar, a experiência emocional que podemos vivenciar com relação ao sofrimento e as questões da vida é um modo confiável e seguro que traz luz à dor, e além de sabermos sobre, somos apresentados a nós mesmos.
No texto “O Mal-Estar na Civilização” Freud aborda a teoria da cultura e faz um ensaio a respeito dos conflitos entre indivíduos e sociedade que resultam em infelicidade.
A discussão sobre a condição humana que atravessa o texto parte do diálogo entre Freud e Romain Rolland sobre a fonte da religiosidade e sua relação com o “sentimento oceânico” que foi dito pelo seu amigo referindo-se a uma sensação de eternidade, um sentimento de ser um com o mundo externo.
Freud acreditava que no decurso do tempo, se o ser humano não fosse capaz de dominar seus impulsos agressivos do ato de destruir sua própria espécie, e se continuássemos a odiar uns aos outros por pequenas disputas, a matar por ganhos mesquinhos, seria difícil preservar a existência da humanidade em meio ao conflito entre nossa natureza e as exigências da civilização. O escrito de Freud não visa trazer conforto mas nos apresenta um caminho de análise do sujeito e sobretudo uma reflexão sobre a sociedade a favor do estabelecimento de algum modo de unidade que ele não o faz por idealismo ou sentimentalismo, mas por motivos econômicos pois frente às tendências destrutivas e ao modo como se estabelecem os laços entre os homens ele considera o esforço de Eros para a preservação da humanidade e não o faz sem indicar seu limite Tanatos nos advertindo no entanto que o mesmo acompanha a unidade estabelecida pelo amor: o incremento da agressividade é intrínseco à dimensão dual e ao agravamento da severidade do supereu.

@adrianamagalhaesrocha
Algumas vezes o psiquiatra necessita prescrever medicação que tem por finalidade amenizar sintoma, mas não é capaz de adentrar a origem que o fez impotente e indiferente à vida e que faz Tanatos imperar.
O que virá a partir do encontro com a própria subjetividade é o meio mais eficaz e possível, vivido em profundidade quando nos permitimos entrar em contato com nós mesmos, sendo uma maneira de sobrevida que nos faz capaz de fazermos escolhas que dialogam com a saúde mental, ou até para quem deseja, encontrar um mantra que o represente, depois que este encontro com o “eu” se estabeleça de maneira a sermos reconhecidos por nós mesmos. Eros é pulsão de vida e foi transformada numa apreciação de beleza trazida de dentro dividindo o mundo com a pulsão de morte, e quando lhe damos vazão, unimos, agregamos, olhamos ao redor, nos respeitamos e nos enxergamos melhor, mesmo sabendo que coabitamos a destrutividade.
Os alfinetes foram definidos por povos primitivos que atribuem ao metal a capacidade de proteger uma pessoa dos maus pensamentos e servem para unir duas partes que ainda não foram costuradas. Talvez este seja um processo necessário para estabelecermos sentido e coerência diante da vida que desejamos para nós mesmos quando nos permitimos acessar nossa subjetividade.
A psicanálise nos atenta ao adoecimento no campo da saúde mental enquanto observa a hostilidade entre os seres humanos em virtude da qual a civilização se vê ameaçada.
O “eu” se constitui a partir da imagem do outro, e somente a mediação simbólica possibilita sairmos deste impasse constitutivo, sendo necessário encontrarmos a boa distância que só se estabelece pela intervenção de um nome, o nome do pai.
Este texto foi escrito ao som da música “Sábado em Copacabana” de Dorival Caymmi, cantada por Caetano Veloso.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.