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    Início » Amazônia em foco: o que esperar da COP30 em Belém

    Amazônia em foco: o que esperar da COP30 em Belém

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    By Editorial on 6 de maio de 2024 Esquina Curiosa
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    O Brasil tem um hábito nas grandes conversas globais: abrir a sessão de discursos na Assembleia Geral da ONU, uma tradição que vem dos anos 1950. Essa vocação para “puxar o debate” ajuda a explicar a expectativa em torno de outro palco que, em novembro, terá sotaque brasileiro: a COP30, que acontecerá em Belém, no coração da Amazônia.

    A COP30 está marcada para 10 a 21 de novembro de 2025, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém (Pará). É a primeira vez que a conferência do clima desembarca na maior floresta tropical do planeta, e isso não é detalhe: levar o encontro para a Amazônia pretende aproximar a discussão de quem vive os efeitos da devastação e de quem protege a floresta no dia a dia. Também será a COP que abre um novo ciclo de metas nacionais de clima (NDCs) sob o Acordo de Paris, cobrando dos países planos mais claros e verificáveis para corte de emissões.

    Por que a Amazônia? E por que agora?

    A Amazônia é decisiva por dois motivos simples e diretos: segura carbono (evita que ele vá para a atmosfera) e faz chover (os chamados “rios voadores” influenciam o regime de chuvas na América do Sul). Quando a floresta cai, piora a crise climática e desorganiza a agricultura muito além do Norte do Brasil. Por isso, os olhos estarão voltados a compromissos sobre desmatamento zero, combate a crimes ambientais e financiamento para manter a floresta em pé com soluções práticas, não só com discursos.

    Se, por um lado, o Brasil chega com queda expressiva do desmatamento em 2023 e 2024, por outro, o mundo segue fora da trajetória para cumprir a meta global de desmatamento zero na mesma década, o que eleva a pressão sobre a COP30. É um cartão de visitas importante, mas que vem com cobrança: manter a curva de queda e transformar anúncio em política pública duradoura.

    O que deve entrar na mesa de negociações

    1) Florestas e desmatamento

    A referência regional para a agenda de sustentabilidade é a Declaração de Belém (2023), assinada por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Ali há um roteiro comum: repressão a crimes transfronteiriços, cooperação científica e estratégias conjuntas para valorizar a floresta em pé. Na COP, a tendência é “puxar” esse espírito para o nível global, com foco em REDD+ (pagamento por resultados), regras de mercado de carbono (Artigo 6) e dinheiro novo para adaptação em comunidades florestais.

    2) Transição energética

    Outra frente é a descarbonização: mais renováveis, eficiência, eletrificação do transporte e metas para indústrias intensivas em carbono (aço, cimento, fertilizantes). Países devem chegar com NDCs reforçadas, metas de “net zero” e planos de transição que incluam trabalho e renda para quem depende de cadeias fósseis hoje.

    3) Financiamento e “perdas e danos”

    Sem financiamento previsível, a ambição não sai do papel. Belém será cobrada por destravar recursos para mitigação, adaptação e para o mecanismo de perdas e danos (ajuda a países que já sofrem impactos irreversíveis). 

    Nesse sentido, o Brasil chega com duas mensagens:

    • Resultados recentes (queda do desmatamento) e a promessa de zerar o desmatamento ilegal até 2030;
    • Arranjo de governança da COP com perfil técnico, o embaixador André Corrêa do Lago preside, e Ana Toni coordena a execução, para dar tração às negociações e dialogar com governos, setor privado, academia e sociedade civil.

    Os países da OTCA devem apresentar propostas integradas de rastreamento de cadeias, cooperação e bioeconomia, ou seja, gerar valor econômico com produtos e serviços da floresta, de fármacos a alimentos da sociobiodiversidade. 

    Aqui destaco pelo menos três pontos merecem atenção. Primeiro, o mundo prometeu desmatamento zero até 2030, mas está atrasado. Por isso, diferentemente das últimas conferências, a COP30 será julgada pelo que for executável: orçamento para fiscalização, calendário com prazos, critérios objetivos de crédito rural alinhados ao clima. Além disso, a energia limpa será cobrada, e transição energética não é trocar uma usina por outra, é reorganizar cadeias produtivas e profissões. E, por fim, todas os planos de bioeconomia, manejo comunitário e turismo de base local precisam sair do período piloto e ganhar escala.

    A COP30 não resolve tudo, na verdade, nenhuma COP resolve. Mas Belém pode ser o ponto em que a Amazônia deixa de ser só metáfora e vira métrica: queda sustentada do desmatamento, renda legal crescendo nas cadeias da floresta e transição energética com justiça social. Se na ONU o Brasil aprendeu a abrir os debates, em Belém o desafio é fechar compromissos com data, valor e responsável. O que vier depois, fiscalização, crédito, obra, produto no mercado, dirá se a conferência foi mais um discurso bonito ou o início de um novo momentum no cuidado com a sustentabilidade.

    Editorial

    A Florida Review é mais do que uma revista, é uma entidade cultural com mais de quatro décadas de história, fundada por Chico Moura e fortalecida sob a liderança de Rodrigo Lisboa Soares. Desde o final dos anos 1980, expandiu seu impacto dentro e fora dos Estados Unidos, consolidando-se como referência editorial e ponte entre culturas. A Florida Review serve hoje a mais de um milhão de brasileiros ao redor do mundo, promovendo informação responsável, pensamento crítico e iniciativas filantrópicas que valorizam a identidade e a diversidade brasileira. Guiada por um compromisso inegociável com a verdade, livre de viés ou partidarismo, nossa missão é oferecer conteúdo relevante, atual e consciente que informa, conecta e inspira. Não somos apenas uma publicação digital: somos um patrimônio vivo da comunidade brasileira no exterior.

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