Texto de Kiki Garavaglia
Dois anos atrás, um primo peruano do meu marido ia fazer 70 anos e nos convidou para conhecer Lima. Confesso que não tive a menor vontade, mas tive que ir — ele não via os primos peruanos há muitos anos.
Ficamos no bairro de Miraflores, na parte balneária. O hotel era excelente, mas quando olhei para as praias me deparei com uma areia cinza, horrenda, eumas “ondinhas” mixurucas. Eu, carioca, acostumada com as lindas praias de areias brancas… Fechei as cortinas e pensei: “Só espero que não fique tonta com a altitude da cidade.” É que Lima fica a 155 metros acima do nível do mar, na costa do Pacífico, e muitos ficam enjoados.

Enfim, fechei as cortinas do quarto e fomos desfrutar da famosa culinária peruana! Almoçamos no excelente bistrô chamado Rafael e, à noite, no restaurante fusion Amoramar — tudo muito chique e a comida, deliciosa. Mais uma vez me surpreendi!
No dia seguinte, uma das primas fez um almoço convidando todos os primos peruanos na sua linda casa antiga, e confesso que me diverti muito com eles. Mas vou contar a maravilha que é o centro histórico peruano — imperdível!
Na Praça das Armas, você fica sem saber qual dos lindos prédios vai fotografar primeiro. A Catedral de 1540 é magnífica e se tornou também um museu. Foi fundada por Francisco Pizarro, que conquistou aquele pequeno vilarejo então chamado Lima e construiu a primeira edificação da cidade.

Outro museu imperdível é, na realidade, dois museus diferentes: Oro del Perú e Armas del Mundo, onde tudo é de ouro — estátuas, armas, roupas, louças. Tudo de ouro puro!

No Convento de São Francisco, também lindo, há uma parte subterrânea à qual se entra agachado por um mini túnel, chegando às catacumbas. Túmulos de famílias inteiras, até com seus cachorros, esqueletos que parecem estar dormindo. Emocionante.

Com a culinária peruana tão famosa, fomos descobrindo ótimos restaurantes. No excelente Clube de Golf, que existe há 102 anos, tudo é elegantíssimo — o ambiente, as pessoas e a comida. Foi convite de outra prima, pois apenas sócios podem entrar!
Fomos também a um novo bairro chamado Ásia, lindo e todo florido, a apenas uma hora de Lima. Todas as casas têm seus telhados cobertos por árvores cheias de buganvílias coloridas. Adoramos o lugar — tem bares, restaurantes, quadras de esportes, piscinas e muito mais.


Mas vou terminar por aqui, pois o texto está ficando enorme! Para conhecer Lima, é “logo ali” — vale muito a pena.

Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeus.
Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste siático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
