Boeing 767 ultrapassou o fim da pista durante o pouso no domingo, 6 de setembro. Cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas. O NTSB já recuperou as caixas-pretas e investiga as causas do acidente.
Um avião cargueiro que operava para a Amazon Prime Air saiu da pista durante o pouso no Miami International Airport (MIA) no domingo, 6 de setembro, atingiu veículos e pegou fogo, deixando cinco pessoas mortas e outras cinco feridas.
O acidente aconteceu por volta das 13h53, quando o voo 7598, operado pela empresa 21 Air, chegava de San Juan, em Porto Rico.
Após pousar, o Boeing 767 não conseguiu parar dentro da pista e avançou cerca de 400 metros além do final da área de pouso.
No caminho, atingiu equipamentos do aeroporto, uma van utilizada por trabalhadores de uma empresa de limpeza de aeronaves e um veículo que circulava próximo ao local.
Imagens registradas depois do acidente mostraram uma grande coluna de fumaça e parte da aeronave em chamas.
Mais de 200 profissionais participaram da resposta à emergência.
Cinco trabalhadores morreram
As cinco vítimas fatais estavam dentro da van atingida pelo avião e trabalhavam para uma empresa responsável por serviços de limpeza de aeronaves.
Outras cinco pessoas ficaram feridas.
Entre elas estavam o piloto e o copiloto do Boeing, que sobreviveram ao acidente.
As autoridades identificaram as cinco vítimas enquanto familiares, empresas envolvidas e equipes de emergência receberam apoio após a tragédia.
Caixas-pretas já foram recuperadas
A investigação está sendo conduzida pelo National Transportation Safety Board (NTSB).
A presidente do órgão, Jennifer Homendy, esteve em Miami na segunda-feira para acompanhar os primeiros trabalhos no local.
Os investigadores já recuperaram o gravador de dados de voo e o gravador de voz da cabine, conhecidos como caixas-pretas.
Esses equipamentos podem revelar informações fundamentais sobre os minutos anteriores ao acidente, como velocidade, funcionamento dos sistemas da aeronave, atuação dos pilotos e comunicação dentro da cabine.
Até o momento, porém, a causa da saída de pista ainda não foi determinada.
Entre os fatores que serão analisados estão o ponto em que o avião tocou o solo, sua velocidade durante o pouso, condições meteorológicas, sistemas de frenagem e as decisões tomadas pela tripulação.
Ventos e tempestades entram na investigação
No momento do acidente, havia tempestades e ventos fortes na região do aeroporto.
Registros meteorológicos apontavam rajadas próximas de 48 km/h.
Dados preliminares de rastreamento também indicam que a aeronave ainda estava em velocidade elevada próximo ao final da pista.
Essas informações fazem parte da investigação, mas o NTSB ainda não relacionou oficialmente nenhum desses fatores à causa do acidente.
Por isso, ainda é cedo para afirmar se vento, velocidade, falha mecânica ou erro humano tiveram participação direta no que aconteceu.
Segurança no fim da pista também será analisada
Outro ponto que deverá ser avaliado é a estrutura existente no final da pista.
O aeroporto não possui naquele local um sistema chamado EMAS, desenvolvido para ajudar a desacelerar aeronaves que ultrapassam o limite da pista.
Isso não significa que o MIA estivesse fora das normas federais de segurança.
Os investigadores, porém, poderão avaliar se um sistema adicional desse tipo teria reduzido as consequências do acidente.
Acidente provoca atrasos e cancelamentos
Logo após a ocorrência, pousos e decolagens foram interrompidos temporariamente no Miami International Airport.
Parte das operações foi retomada ainda no domingo, mas o aeroporto continuou enfrentando reflexos nos dias seguintes.
Na segunda-feira, dezenas de voos foram cancelados e centenas sofreram atrasos.
Nesta terça-feira, 8 de setembro, duas das quatro pistas ainda permaneciam fechadas enquanto os investigadores trabalhavam na área do acidente.
Passageiros continuam sendo orientados a verificar a situação de seus voos antes de seguir para o aeroporto.
Investigação deve avançar nos próximos dias
A Amazon, a operadora 21 Air e a Boeing afirmaram que estão cooperando com a investigação.
Com a recuperação das caixas-pretas, o NTSB poderá reconstruir com maior precisão os momentos que antecederam o pouso e entender por que a aeronave não conseguiu parar.
Por enquanto, o que se sabe é que um pouso terminou com o Boeing ultrapassando a pista, atravessando os limites do aeroporto e atingindo trabalhadores em solo.
A principal pergunta agora é o que fez o cargueiro sair da pista, e se alguma medida poderia ter evitado que o acidente terminasse com cinco mortes.
