Texto da Kiki Garavaglia
Uns anos atrás, fui com amigos passar uma temporada em Taormina e resolvi visitar o vulcão Etna, permanentemente em atividade, mas meio contra o gosto dos amigos. Eles tinham razão… nada a se ver além de um morro cinza, seco, desolado, com lavas endurecidas. Um frio horrível e uma neblina constante cobrindo a “boca” do vulcão, e nós todos vestidos de bermudas e camisetas… Reconheci meu erro e me deixei levar a um restaurante que tinham nos aconselhado. Pegamos o carro e subimos por pequenas ruas estreitas até chegarmos ao vilarejo de Castelmola e ao restaurante chamado “Café Turrisi”.

Desde 1812, milhares de pessoas do mundo todo vão a esse “bar-antiquário”, cuja decoração é toda feita de… paus! Sim, isso mesmo! Todos os tipos, tamanhos e materiais de “phalus” antigos. Inacreditável! O estranho é que a propaganda feita pelo restaurante mal fala dessa “inusitada coleção”!

Entramos no restaurante sem ter ideia do que nos esperava da decoração só de “paus” e ficamos “abobalhados”! Alguns eram seculares, outros elaboradíssimos, com muitos detalhes, outros orientais, de marfim, madeira, ébano e outros materiais. Nenhum deles era vulgar, ordinário, do tipo de sex shop… Todos tinham valor histórico! As pessoas chegavam, comiam, eram servidas com muita atenção e partiam… e nós, abobalhados com cada “item” ao nosso redor!
Estávamos sentados num banco de espera que era um gigantesco “phalus”… Explicaram que tinha vindo da Geórgia, então parte do Império Russo, de um castelo Romanov (família imperial russa). Agradecemos a informação e continuamos esperando a nossa mesa sentados num outro maxi “pau”, olhando para o tampo do bar, que era outro enorme “phalus”!!
Quanto à comida, não era o “forte” do restaurante… Talvez não tenhamos dado a devida atenção ao que nos serviram, pois estávamos fascinados com os objetos de decoração.
Realmente valeu a pena irmos até Castelmola, pois, se tivessem nos contado, não teríamos acreditado que um restaurante era, na verdade, uma exposição permanente de “paus”!!!


Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeus.
Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
