Celebrado em 29 de setembro nos Estados Unidos, o National Coffee Day destaca uma bebida que faz parte da rotina de milhões de pessoas e movimenta uma cadeia econômica global.
Para muita gente, o dia só começa depois da primeira xícara. Forte, com leite, gelado, espresso, coado ou preparado de maneiras cada vez mais sofisticadas, o café deixou há muito tempo de ser apenas uma bebida. Ele se tornou ritual, ponto de encontro, símbolo cultural e uma indústria que conecta produtores, comerciantes e consumidores em praticamente todo o mundo.
Nos Estados Unidos, 29 de setembro marca o National Coffee Day, uma celebração que ganhou espaço no calendário comercial e cultural do país. A data não deve ser confundida com o Dia Internacional do Café, celebrado oficialmente em 1º de outubro pela Organização Internacional do Café (OIC).
E os números ajudam a explicar por que existe tanto entusiasmo em torno da bebida.
Café continua no topo das preferências americanas
Dados divulgados em setembro de 2026 pela National Coffee Association (NCA) mostram que 66% dos adultos americanos haviam consumido café no dia anterior à pesquisa. Segundo o levantamento, a bebida continua sendo consumida diariamente por mais adultos nos Estados Unidos do que qualquer outra categoria analisada.
O hábito doméstico continua predominante: entre aqueles que haviam tomado café no dia anterior, 83% consumiram café preparado em casa. Ao mesmo tempo, o consumo fora de casa chegou a 38%, o nível mais alto registrado pela pesquisa desde janeiro de 2020.
O café de especialidade também ganhou ainda mais espaço. Em 2026, 48% dos adultos americanos disseram ter consumido algum tipo de café de especialidade no dia anterior, estabelecendo um novo recorde no levantamento da NCA. Bebidas à base de espresso, como latte, cappuccino e mocha, fazem parte dessa transformação do mercado.
O café gelado também deixou de ser apenas uma preferência de verão. Nos últimos anos, cold brew, iced coffee e bebidas geladas à base de espresso conquistaram espaço permanente nos cardápios americanos.
Uma relação especial com o Brasil
Para a comunidade brasileira nos Estados Unidos, o café carrega ainda outra dimensão.
O Brasil permanece como o maior produtor mundial da commodity. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país respondeu por aproximadamente 35% da produção mundial de café na safra 2025/2026, com cerca de 63 milhões de sacas de 60 quilos.
Assim, uma bebida consumida diariamente em escritórios, residências e cafeterias americanas também representa uma das conexões econômicas e culturais mais antigas do Brasil com o restante do mundo.
Do tradicional cafezinho servido após o almoço aos cafés especiais produzidos em regiões como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, a bebida está profundamente ligada à história brasileira.
Muito além da xícara
O tamanho do setor também pode ser medido pelo impacto econômico.
A National Coffee Association estima que a indústria relacionada ao café sustente aproximadamente 2,2 milhões de empregos nos Estados Unidos e contribua com quase US$ 350 bilhões por ano para a economia americana.
Por trás de cada xícara existe uma longa cadeia: produtores rurais, trabalhadores agrícolas, exportadores, transportadoras, torrefadores, distribuidores, supermercados, cafeterias e profissionais especializados.
É justamente essa cadeia que o Dia Internacional do Café, em 1º de outubro, procura destacar. A Organização Internacional do Café afirma que a data foi criada não apenas para celebrar a bebida, mas também para chamar atenção para os milhões de agricultores cuja renda depende do cultivo do café e para a necessidade de tornar o setor mais sustentável.
Uma bebida que acompanha mudanças de comportamento
A forma como o café é consumido também mudou.
Se durante décadas a imagem clássica nos Estados Unidos foi a de uma grande xícara de café filtrado, o mercado atual reúne métodos artesanais, cafés de origem única, cápsulas, cold brew, bebidas prontas para consumo e combinações cada vez mais elaboradas.
Essa diversidade ajuda a explicar por que o café consegue permanecer relevante mesmo diante das mudanças entre gerações.
Entre os consumidores mais jovens, o café de especialidade tem força particularmente grande. Pesquisa divulgada pela NCA em junho mostrou que 69% dos americanos entre 25 e 39 anos haviam consumido café de especialidade durante a semana anterior ao levantamento.
Ao mesmo tempo, o velho café feito em casa permanece firme.
Talvez esteja justamente aí o segredo de uma bebida com séculos de história: ela consegue ser tradição e tendência ao mesmo tempo.
No dia 29 de setembro, nos Estados Unidos, a comemoração pode vir acompanhada de promoções e cafés gratuitos oferecidos por redes e estabelecimentos. Mas a data também oferece uma oportunidade para lembrar que aquela xícara aparentemente simples conecta países, culturas, agricultores, empresas e milhões de consumidores.
E, para brasileiros e americanos, poucas bebidas fazem parte da rotina de maneira tão natural quanto o café.

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