Por Lucy & Dani Silverio
Imagina balançar o celular sutilmente e, em segundos, acionar um pedido de socorro com sua localização em tempo real, áudio do ambiente e dados que podem incriminar um agressor. É exatamente isso que o Todas por Uma faz, e ele é 100% gratuito.
Criado há seis anos em São Paulo por Matheus, um jovem de 27 anos da Zona Norte da cidade, o aplicativo nasceu de uma dor muito pessoal. Ainda criança, Matheus presenciou violência doméstica dentro de casa e foi expulso pelo próprio pai após defender sua mãe, Dona Nice. Daquela experiência, surgiu uma promessa: nunca mais ver uma mulher sofrer ou chorar sem fazer nada. Anos depois, essa promessa se transformou em tecnologia.
Da sala de aula para o mundo
A ideia tomou forma dentro de uma escola técnica, onde Matheus estudava telecomunicações com profissionais da Ericsson. Um de seus professores, vice-presidente da empresa e dinamarquês, enxergou nele um potencial fora do comum e o desafiou: “Escreva um aplicativo para conectar um continente.” A frase ficou. Matheus foi estudar programação, montou uma equipe de pessoas da sua idade e transformou o Todas por Uma no que é hoje: referência tecnológica nacional e internacional no combate à violência contra a mulher.
A trajetória rendeu reconhecimentos expressivos. Matheus foi eleito pela Forbes como uma das seis pessoas mais importantes da atualidade em tecnolomy pgia e inovação. É campeão do reality Expo Favela, exibido pela Globo, e sua história já está nos livros didáticos da República do Brasil, estudada por milhões de jovens em todo o país.
Como o aplicativo funciona
O grande diferencial do Todas por Uma é a camuflagem. Ao ser instalado, o app se disfarça no celular, simulando uma loja de produtos, atualmente com a imagem de Glória Pires, primeira embaixadora do projeto. Para o agressor, parece uma compra comum. Para a mulher, é uma linha direta de socorro.
Para acionar o pedido de ajuda, basta balançar o celular sutilmente. A partir desse gesto, o aplicativo envia automaticamente, a cada 30 segundos, a localização em tempo real da usuária, mesmo que ela esteja em movimento, além de áudio do ambiente, foto, data e horário. Todos esses dados são encaminhados para os chamados anjos: pessoas de confiança previamente cadastradas pela própria usuária.
Para quem não tem um smartphone mais moderno, existe ainda um botão discreto na tela inicial escrito “cupom de desconto” que, na prática, também aciona o pedido de socorro. Mais de 5 mil mulheres já utilizaram esse recurso.
O histórico completo de cada pedido pode ser exportado em PDF diretamente pelo aplicativo, gerando um documento com valor probatório que pode ser apresentado à delegacia como boletim de ocorrência, com todas as evidências registradas.555
O app conta ainda com um mapa de calor da violência, onde as próprias usuárias sinalizam áreas de risco ao redor do mundo, e um mapa com todas as delegacias especializadas no atendimento à mulher no Brasil, acessíveis com um toque na tela.
Presente em mais de 30 países, com foco crescente nos EUA
O Todas por Uma já está ativo em mais de 30 países. Fora do Brasil, os países que mais utilizam a tecnologia são Estados Unidos, Portugal, Canadá, Alemanha, Japão, Israel, México e Austrália. O aplicativo está disponível em português, inglês e espanhol.
Agora, os esforços se voltam com mais força para os Estados Unidos, especialmente para a comunidade brasileira na Flórida. Em parceria com a Apex Brasil, Matheus está à frente do primeiro projeto global de combate à violência contra a mulher com abrangência internacional, e conversas já estão em andamento com a Embaixada do Brasil em Orlando e o Consulado Brasileiro em Miami.
Matheus também demonstrou interesse em atualizar o aplicativo com informações sobre os direitos das mulheres nos Estados Unidos, adaptando a tecnologia à realidade jurídica americana e tornando o app ainda mais útil para quem vive fora do Brasil.
Baixe agora, porque pode salvar uma vida
O Todas por Uma é gratuito e está disponível para Android e iOS. Em números, já salvou mais de 15 mil mulheres, registrou mais de 50 mil pedidos de socorro e acumula meio milhão de interações na plataforma. Mais de 10 mil mulheres já balançaram o celular pedindo ajuda.
Durante uma palestra, uma jovem se aproximou de Matheus em lágrimas e disse: “Se minha mãe tivesse conhecido o Todas por Uma, ela estaria viva.” É essa frase que move o projeto. E é por isso que cada pessoa que compartilha essa informação se torna, também, um anjo.
Baixe o aplicativo, indique para quem você ama e ajude a propagar essa tecnologia. Porque informação também salva vidas.
Saiba mais em: https://todasporuma.com/

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
