Por Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta | PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Professora Universitária e Coordenadora de Pós-graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review Magazine, Miami 🇺🇸
Uma das regiões mais negligenciadas nos protocolos de rejuvenescimento agora ganha protagonismo com tecnologias capazes de estimular a própria pele a recuperar parte de sua firmeza e qualidade.
Durante décadas, o rejuvenescimento esteve concentrado no rosto. Investimos em tratamentos para rugas, flacidez e perda de volume facial, enquanto uma região igualmente importante permanecia esquecida: o pescoço.
E existe uma explicação biológica para isso. A pele cervical apresenta características estruturais particulares, com menor espessura e maior vulnerabilidade aos efeitos do envelhecimento. Com o passar dos anos, a redução da atividade dos fibroblastos, a degradação das fibras de colágeno e elastina e a exposição solar acumulada favorecem a perda de firmeza, o aparecimento de linhas horizontais e a flacidez.
Mas a estética está transformando a maneira como tratamos essa região. Bioestimular é ensinar a pele a responder novamente.
Entre as tecnologias que ganharam relevância na estética regenerativa estão os bioestimuladores de colágeno, substâncias injetáveis capazes de desencadear respostas celulares que favorecem a formação de uma nova matriz de sustentação cutânea.
Ativos como a hidroxiapatita de cálcio e o ácido poli-L-láctico atuam por mecanismos biológicos específicos, estimulando processos associados à neocolagênese, ou seja, à produção de novas fibras de colágeno.
Diferentemente de abordagens voltadas principalmente ao preenchimento, a proposta da bioestimulação é melhorar progressivamente a qualidade estrutural do tecido, respeitando sua anatomia e capacidade de resposta.
O resultado esperado não volumizar a pele, mas melhorar sua textura, firmeza e sustentação, dentro dos limites biológicos de cada paciente.
A ciência confirma: o pescoço pode responder à bioestimulação. Estudos clínicos já demonstram resultados promissores para a utilização de bioestimuladores na região cervical.
Uma pesquisa publicada em 2026, envolvendo 40 mulheres tratadas com ácido poli-L-láctico, identificou melhora significativa nas rugas horizontais do pescoço e em parâmetros relacionados à qualidade da pele durante nove meses de acompanhamento. Embora os resultados sejam encorajadores, ainda são necessários estudos maiores para estabelecer a eficácia e a segurança em longo prazo.
Essas evidências reforçam uma mudança importante de perspectiva: não precisamos esperar que a flacidez se torne acentuada para começar a cuidar da qualidade da pele.
A prevenção e o tratamento precoce podem integrar estratégias individualizadas de gerenciamento do envelhecimento, sempre considerando a avaliação clínica e a indicação adequada.
Na prática clínica, o pescoço precisa ser compreendido como uma extensão estética e anatômica do rosto.
Não faz sentido planejar o rejuvenescimento facial sem avaliar a condição da pele cervical e do colo. Essas regiões envelhecem de maneira integrada, embora apresentem necessidades terapêuticas diferentes.
A bioestimulação pode representar uma ferramenta importante nesse planejamento, especialmente quando associada à fotoproteção, aos cuidados dermatológicos e, quando indicados, a outros recursos tecnológicos.
É fundamental lembrar que os procedimentos injetáveis exigem conhecimento anatômico, seleção criteriosa do produto e técnica adequada. Nem toda flacidez responde da mesma maneira, e intercorrências, como nódulos, podem ocorrer.
O verdadeiro avanço da estética não está em prometer interromper o envelhecimento, mas em compreender seus mecanismos e utilizar a ciência para envelhecer com mais qualidade.
E o pescoço faz parte desta história!
