Seis pessoas foram acusadas em Massachusetts de participar de uma organização que, segundo investigadores federais, promovia casamentos fraudulentos para obtenção de benefícios migratórios. Esquema teria funcionado por mais de dez anos e movimentado mais de US$ 6 milhões.
Autoridades federais dos Estados Unidos acusaram seis pessoas de participar de um suposto esquema de casamentos fraudulentos criado para ajudar imigrantes a obter benefícios migratórios, incluindo o Green Card.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a organização operava em Massachusetts havia mais de uma década e cobrava normalmente entre US$ 38 mil e US$ 40 mil para organizar cada casamento.
A investigação estima que o grupo realizava, em média, entre 18 e 20 casamentos fraudulentos por ano.
Segundo a Reuters, o esquema teria movimentado mais de US$ 6 milhões ao longo dos anos.
Documentos divulgados pelas autoridades também mostram participação de cidadãos brasileiros entre os clientes que teriam utilizado o serviço.
Como o suposto esquema funcionava
Segundo documentos judiciais, Jennifer Gonzalez, de 43 anos, seria a responsável por administrar a operação.
Os investigadores afirmam que imigrantes pagavam para que ela encontrasse cidadãos americanos dispostos a entrar em casamentos que existiriam apenas para permitir a apresentação de pedidos de benefícios migratórios.
Depois do casamento, os participantes precisavam criar evidências que fizessem a relação parecer verdadeira perante o U.S. Citizenship and Immigration Services, USCIS.
Segundo o Departamento de Justiça, isso incluía abrir contas bancárias conjuntas, contratar seguros de vida e tirar fotografias do casal em cerimônias e atividades sociais.
Os investigadores afirmam ainda que Gonzalez orientava clientes a esperar entre três e quatro meses até acumular documentação suficiente antes de iniciar determinados procedimentos migratórios.
Contratos e pagamentos mensais
A investigação encontrou contratos utilizados para organizar os pagamentos.
Segundo as autoridades, Gonzalez teria sido gravada orientando a assinatura de um documento apresentado como contrato de empréstimo.
Em uma das gravações, ela teria explicado que o verdadeiro objetivo do acordo não aparecia no documento porque mencionar diretamente o casamento poderia produzir evidências incriminadoras.
Os investigadores também registraram um pagamento inicial de US$ 3 mil em dinheiro.
Além do valor cobrado para organizar o casamento, alguns clientes teriam realizado pagamentos mensais de aproximadamente US$ 500 para o cidadão americano que participava da relação ou para alguém próximo a ele.
Brasileiros aparecem nos documentos da investigação
O caso também possui uma ligação direta com a comunidade brasileira nos Estados Unidos.
Entre as imagens divulgadas pelo Departamento de Justiça estão fotografias de cerimônias que, segundo os investigadores, faziam parte do esquema.
Uma delas mostra uma das acusadas entrando em um suposto casamento fraudulento com um imigrante brasileiro em maio de 2018.
Outra fotografia divulgada pelas autoridades mostra uma segunda acusada em uma cerimônia com outro cidadão brasileiro, em agosto de 2024.
Os documentos não indicam que todos os clientes da organização eram brasileiros.
A investigação envolve imigrantes de diferentes origens, mas confirma que brasileiros estavam entre as pessoas que teriam utilizado o serviço.
Seis pessoas foram acusadas
Além de Jennifer Gonzalez, foram acusadas Erica Daniels, Chreise Alejandro, Amara Pugh, Jessica Tavares e Jaylin Hill.
Segundo o Departamento de Justiça, Gonzalez teria pago alguns dos acusados para entrar nos casamentos com os clientes da organização.
Pugh teria trabalhado como secretária do negócio.
Cinco dos acusados foram presos em Massachusetts em 21 de outubro. Hill já estava cumprindo uma sentença estadual relacionada a outro caso.
As acusações apresentadas incluem conspiração para cometer fraude matrimonial, fraude matrimonial e crimes relacionados a esconder ou auxiliar imigrantes em situação irregular.
As penas máximas previstas para algumas dessas acusações podem chegar a dez anos de prisão, além de multas.
Green Card por casamento continua sendo legal
A investigação não representa uma mudança nas regras para obtenção do Green Card por meio de casamento.
Um cidadão americano ou residente permanente pode solicitar benefícios migratórios para um cônjuge quando existe um casamento legítimo.
O problema ocorre quando o casamento é realizado apenas com o objetivo de contornar a legislação migratória e obter benefícios aos quais a pessoa não teria direito daquela forma.
Nesse caso, fornecer informações falsas, fabricar documentos ou simular uma relação pode resultar em acusações criminais e consequências migratórias.
Portanto, o anúncio desta semana trata de uma investigação de fraude, e não de uma mudança nas regras para casais que possuem relacionamentos legítimos.
Investigação ainda está em andamento
O Departamento de Justiça afirma que o caso continua sendo investigado.
Isso significa que novas acusações ou novos envolvidos ainda podem surgir à medida que as autoridades analisam documentos, gravações e processos migratórios relacionados à organização.
Os investigadores também afirmam que parte do dinheiro obtido com o suposto esquema teria sido utilizada por Gonzalez para comprar imóveis e investir em negócios na República Dominicana.
Segundo as autoridades, ela teria recebido centenas de milhares de dólares por ano durante o período em que a operação funcionou.
Apesar da dimensão da investigação e das evidências apresentadas pelo governo, existe uma distinção jurídica importante.
As seis pessoas foram acusadas, mas ainda não foram condenadas.
As alegações apresentadas nos documentos do Departamento de Justiça precisarão ser analisadas pela Justiça Federal, e todos os acusados são considerados inocentes até que sua eventual culpa seja comprovada em tribunal.
