Por Dra. Mônica Martellet, farmacêutica esteta, professora universitária, CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada e colunista da Florida Review Magazine.
Você ainda acha que peeling é só sobre “descamar” a pele? Se sim, talvez esteja reduzindo um dos procedimentos mais inteligentes da estética moderna a apenas uma fase visível e passageira do processo.
A verdade é que o que realmente importa não é o quanto a pele descama, mas o que está acontecendo nas camadas mais profundas enquanto isso acontece. Porque o peeling não é um esfoliante agressivo: ele é uma intervenção biológica programada, feita para reorganizar a arquitetura da pele, ativar rotas celulares e promover uma renovação genuína, de dentro para fora.
Os peelings químicos utilizam substâncias ácidas em concentrações específicas para provocar um dano controlado no tecido cutâneo. Esse estímulo gera uma resposta inflamatória benéfica que ativa mecanismos de regeneração celular, promove a renovação da epiderme e estimula a produção de colágeno e elastina. Cada tipo de ácido tem sua assinatura biológica: o retinóico modula a expressão genética de queratinócitos e melhora a organização celular; o mandélico tem ação iluminadora e anti inflamatória suave, ideal para peles sensíveis; o glicólico, com baixo peso molecular, penetra profundamente e melhora a textura cutânea; o salicílico atua como beta-hidroxiácido lipofílico, excelente para peles acneicas; já o ATA (ácido tricloroacético), quando bem dosado, promove renovação média a profunda, com impacto real sobre rugas e hiperpigmentações.
Por trás da “descamação”, há um processo sofisticado, onde o objetivo não é simplesmente tirar uma camada da pele, mas reestruturar sua função de barreira, reorganizar os queratinócitos e restaurar a luminosidade natural com inteligência clínica.
Os meses mais frios do ano, como outono e inverno, são os períodos ideais para peelings. Com menor exposição solar, a pele responde melhor e com mais segurança aos protocolos. Mas mais importante do que a estação é o estado da sua pele. Textura irregular, poros dilatados, manchas, sinais do tempo… todos esses fatores são indicativos de que a pele precisa de estímulo e não de camuflagem. Peelings bem conduzidos oferecem resultados reais, cumulativos e sustentáveis. Eles devolvem o brilho, a maciez, a vitalidade e a uniformidade que nenhuma maquiagem consegue entregar. No entanto, é preciso cuidado. Peeling químico é um procedimento que exige estudo, domínio técnico e sensibilidade clínica. A escolha do ácido, da concentração, do tempo de permanência e da profundidade de ação depende de uma análise minuciosa da pele e do histórico do paciente. Aplicações feitas sem conhecimento aprofundado podem causar efeitos indesejados como hiperpigmentação pós-inflamatória, queimaduras, sensibilização crônica e até cicatrizes. Por isso, realizar o procedimento com profissionais qualificados é essencial.
Em minha prática clínica, percebo que o peeling vai muito além da epiderme. Ele afeta o emocional. Ele restaura algo que estava desassistido. O paciente não busca apenas uma pele nova, busca uma nova relação consigo mesmo. E é por isso que a verdadeira transformação acontece aos poucos. Porque quando a pele começa a responder, tudo se reorganiza em consonância: autoestima, presença, confiança.
Peelings químicos não são moda. São ferramentas poderosas, respaldadas por décadas de estudos científicos e resultados reais. E entre tantas técnicas disponíveis hoje, poucas têm esse poder: o de permitir que a pele recomece com ciência, com propósito e com verdade.
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