Prata no Para Ski Cross-Country Sprint Sitting em Milão-Cortina 2026, a conquista de Ribera é inédita não só para o Brasil — mas para toda a América Latina.
Em uma manhã de terça-feira nos Alpes italianos, Cristian Ribera fez o que nenhum brasileiro havia feito antes. Competindo no Para Ski Cross-Country Sprint Sitting nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, o atleta cruzou a linha de chegada em segundo lugar — e, com isso, inscreveu seu nome na história do esporte brasileiro.
A medalha de prata é o melhor resultado da história do Brasil em Jogos Paralímpicos de Inverno — e também a primeira medalha que o país já conquistou na competição. Mais do que isso: segundo Anders Petterson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), a conquista é inédita para toda a América Latina.
Ribera havia dominado todas as fases eliminatórias e chegou à final sem tropeços. Na disputa pela medalha, liderou durante quase todo o percurso de 1.024 metros — até ser ultrapassado nos metros finais pelo chinês Liu Zixu, que cruzou a linha em 2:28.9. O brasileiro terminou em 2:29.6, apenas sete décimos de segundo atrás. Yerbol Khamitov, do Cazaquistão, completou o pódio com 2:29.9.
“Queria ganhar a medalha de ouro. Foi muito mais mérito do chinês. Estou muito feliz, é um sonho realizado. A próxima meta, claro, é o ouro. Estamos competindo há tantos anos, são oito anos no circuito. Poder estar no pódio, representando o Brasil — estou muito orgulhoso. Foi por muito pouco. Queria ter ganho, mas estou muito feliz pela prata. É muito especial para mim”, disse Cristian, muito emocionado após a conquista.

Uma carreira marcada por primeiros lugares
A prata em Tesero é o ponto alto de uma sequência brilhante para Ribera. No caminho até Milão-Cortina, ele se tornou o primeiro brasileiro a conquistar o Globo de Cristal — troféu entregue ao campeão geral da Copa do Mundo de Para Ski Cross-Country. Também foi campeão mundial na prova de Sprint, em Trondheim, na Noruega, e chegou à liderança do ranking mundial da modalidade.
Antes desta terça-feira, o melhor resultado da história do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno era um sexto lugar do próprio Cristian em PyeongChang 2018. Ele superou a si mesmo — e elevou o patamar de um país inteiro.
“Estou muito contente, orgulhoso. É um trabalho de longo prazo, quase 12 anos trabalhando. E hoje finalmente chegamos, quebramos essa barreira. É uma medalha inédita para a América Latina. Está todo mundo de parabéns, fizemos um trabalho fantástico. Estou muito orgulhoso de fazer parte desta equipe”, afirmou o presidente da CBDN, Anders Petterson.
Aline Rocha também entra para a história

Antes mesmo da prata de Cristian, Aline Rocha já havia feito história. Na final do Para Ski Cross-Country Sprint Sitting feminino, a brasileira disputou a medalha de bronze durante quase toda a prova, terminando na quinta colocação com o tempo de 3:21.0 — 13.9 segundos atrás da campeã, a americana Oksana Masters. O resultado é o melhor de uma mulher brasileira nos Jogos Paralímpicos de Inverno.
Ribera e Rocha estão em sua terceira paralimpíada de inverno — uma demonstração do quanto o Brasil investiu e amadureceu nos esportes de neve ao longo da última década.
A maior delegação da história
Milão-Cortina 2026 marca um novo capítulo não só para Ribera, mas para o paradesporto brasileiro como um todo. O país enviou sua maior delegação da história para os Jogos Paralímpicos de Inverno — oito atletas competindo em três modalidades diferentes.
Esqui Cross-Country e Biatlo: Cristian Ribera, Aline Rocha, Wellington da Silva, Elena Sena, Guilherme Cruz Rocha e Robelson Lula.
Snowboard: André Barbieri e Vitória Machado.
E a história de Ribera ainda não acabou. Ele compete nos 10km nesta quarta-feira, no revezamento no sábado e nos 20km no domingo — com mais chances de subir ao pódio e ampliar o legado que começou a construir hoje.
Para um país famoso pelo calor das suas praias e pelo ouro conquistado em terras quentes, uma medalha na neve dos Alpes italianos tem um sabor completamente diferente — e ainda mais especial. Cristian Ribera acabou de mostrar ao mundo que o Brasil também brilha no frio.
Crédito fotos : Alessandra Cabral / CPB & Driven Comunicação

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
