Texto de Kiki Garavaglia
Uma das cidades mais lindas da Europa é, sem dúvidas, Budapeste, capital da Hungria! Mas como demorou, e como sofreu até chegar a esse “status”… Para saber o porquê, temos que estudar muito sua longa história.
Nos anos 89 a.C., os romanos a chamavam de ‘Aquascutum’, que significa Ôbuda, ou Velho Buda! Depois de 300 anos surgiu o povoado ‘Pest’ e, 600 anos depois, os ciganos magiares colonizaram, e se tornou Hungria!
Na nossa primeira vez, ainda era comunista: triste, escura, abandonada, cheia de buracos de balas nas paredes, os maravilhosos monumentos todos sujos e abandonados: o Parlamento de Budapeste, às margens do lindo rio Danúbio Azul; a gigantesca ponte Széchenyl, ou Ponte das Correntes; o Bastião do Castelo, com seu estilo neogótico; as sete torres representando as sete tribos magiares; a Igreja Matías, construída em 1015; e tantos outros monumentos! Todos abandonados nas mãos dos russos. Estes, sempre bêbados, namorando as lindíssimas húngaras… Qualquer um, mesmo diplomatas, podiam ser parados e revistados nas ruas, nos trens e, se tivessem dinheiro estrangeiro, era retido! Guardava minha carteira embaixo da minha camiseta, dentro do sutiã!
Anos mais tarde, voltei à Budapeste, e os majestosos monumentos: todos claros, limpos, deslumbrantes! Os ciganos voltaram a dançar e tocar seus violinos, na maior alegria! Quanta beleza nessa cidade… Ficamos pouco tempo. Estávamos em Viena, e combinamos de voltar mais vezes!
No mês seguinte, pegamos nosso carro e resolvemos voltar novamente. Era perto, uma linda viagem até lá… Infelizmente, quando chegamos, caiu uma nevasca! Congelamos! A cidade toda coberta de neve, vários graus abaixo de zero… Jantamos, dormimos e voltamos para Viena no dia seguinte, combinando voltar de novo! O tempo passou. Fomos até Praga, até Milão… Não voltei mais. Vou ter que voltar novamente à Budapeste no verão deles!
Um detalhe curioso: os húngaros não chamam seu país de Hungria, e sim de Magyar! Me lembra a palavra ‘mágica’… E Budapeste é, realmente, uma cidade mágica!
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
