Quem conhece a Escócia sabe da importância de suas antigas tribos ou clãs. O país sempre foi dividido entre a parte alta, chamada de Highlands, e a parte baixa, as Lowlands. Essas regiões viviam em constantes conflitos e guerras. As tribos das Lowlands, geralmente formadas por agricultores, costumavam perder as batalhas.

Minha avó paterna era escocesa, nascida nas Highlands, e pertencia ao clã Mackinnon. Em 1791, eles perderam uma batalha lutando pelo rei Carlos I e foram forçados a deixar de ser Mackinnon, passando a se chamar McMahon. Pela tradição, os derrotados eram obrigados a mudar as cores de seus tartans (saias), adotando as cores dos vencedores. Antes, eram lindas — vermelhas com toques de azul e cinza — mas tiveram que mudar para marrom e verde, cores que achei horrendas!

Quando soube dessa história, decidi conhecer a Escócia. Estava em Londres, peguei um trem e fui até a capital, Edimburgo, a segunda maior cidade do país. Fiquei encantada. É um grande centro cultural e histórico, famoso por sua arquitetura medieval e georgiana, e hoje conta com cerca de 490 mil habitantes.

Além do Castelo de Edimburgo, a cidade abriga o Palácio de Holyrood, residência oficial dos reis da Inglaterra. A rainha Elizabeth II, mãe do atual rei Charles, adorava o local e sempre passava suas férias lá. Outra atração belíssima é a Catedral de Saint Giles, além do Museu Nacional da Escócia, o vulcão extinto Arthur’s Seat e a praça Grassmarket, antigo mercado medieval que também era palco de execuções públicas.

As principais ruas comerciais são a Princes Street e o St. James Centre, mas a maior atração para os turistas é caminhar pela Royal Mile (ou “Miracle Mile”), o percurso que os reis faziam até o Castelo de Holyrood House. Hoje, a região é repleta de lojas, bares e restaurantes. Vale lembrar que foram os escoceses que inventaram o whisky! Outra curiosidade: eles também criaram a primeira Enciclopédia Britânica.

Voltei alguns anos depois e fui direto para a região das Highlands, o norte selvagem e indomável do passado — terra de povos celtas e vikings. Cheguei por Aberdeen e visitei o Castelo de Dunvegan, do clã McLeod, com jardins lindíssimos. Também fiz um passeio de veleiro até as Ilhas Hébridas, um lugar maravilhoso. No verão, o sol brilha até tarde e a gente perde completamente a noção do tempo.
Não falei do castelo do clã McMahon, da família da minha avó, porque não consegui encontrá-lo. Vou precisar pesquisar os arquivos da região… Quem sabe ainda tenho alguns primos highlanders por lá!
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
