No dia 11 de novembro, os Estados Unidos param para o Veterans Day, data dedicada a todas as pessoas que serviram nas Forças Armadas, na ativa ou na reserva, em tempos de guerra e de paz. A origem remete ao Armistício da Primeira Guerra, que entrou em vigor às 11h do 11º dia do 11º mês de 1918; daí o simbolismo do horário e do dia. O feriado começou como Armistice Day e, em 1954, por ato do Congresso e sanção do presidente Dwight D. Eisenhower, passou a se chamar Veterans Day, para homenagear veteranos de todas as guerras e períodos de serviço, não apenas os da Primeira Guerra. Décadas depois, uma tentativa de mover a data para outubro foi revertida, e o 11 de novembro voltou a ser a regra federal. (U.S. Department of Veterans Affairs)
Quem são os veteranos — e quantos vivem na Flórida
Segundo o U.S. Census Bureau, havia 15,8 milhões de veteranos nos EUA em 2023 (cerca de 6,1% da população adulta), dos quais 1,7 milhão são mulheres. As projeções da Veterans Affairs (VA) mostram tendência de queda do contingente total até 2053, por envelhecimento das gerações e menor base de alistamento.
A Flórida tem uma das maiores comunidades veteranas do país, cerca de 1,4 a 1,45 milhão de pessoas, dependendo da fonte (estimativas estaduais e relatórios anuais mais recentes). É uma presença que se traduz em memória, em impacto econômico e em redes de apoio distribuídas por todo o estado.
O Veterans Day é um tributo aos que serviram. Ele se distingue do Memorial Day, celebrado na última segunda de maio (escrevemos uma matéria sobre, você pode ler clicando aqui), que lembra os que morreram em serviço. Por tradição, muitas cerimônias incluem um minuto de silêncio às 11h e a execução de “Taps”, marcha fúnebre dos toques militares. Escolas, câmaras municipais e organizações cívicas seguem guias oficiais de cerimônia preparados pela VA.
Imigrantes nas Forças Armadas: serviço e cidadania
Imigrantes legais servem nas Forças Armadas norte-americanas há gerações. Pela lei, militares estrangeiros com serviço honroso podem, em determinadas condições, requerer naturalização com base nos artigos 328 (tempo de paz) e 329 (períodos de hostilidade) da Lei de Imigração e Nacionalidade; a política é periodicamente atualizada pela USCIS. Em 2025, por exemplo, houve ajustes procedimentais sobre entrevistas de naturalização para veteranos no exterior.
Um caso brasileiro: o reservista Lucas Calixto
Entre as histórias que ajudam a entender esse elo entre imigração e serviço militar está a do brasileiro Lucas Calixto, que serviu como reservista do Exército. Em 2018, após uma baixa administrativa controversa, ele processou o Exército alegando falhas no devido processo. Dias depois, o próprio Exército reverteu a decisão e restabeleceu seu vínculo, em um caso que chamou atenção para os caminhos e as faltas, da naturalização via serviço. A narrativa, contada por grandes veículos na época, virou referência para debates sobre recrutamento e imigrantes fardados.
Essa trajetória não é isolada. Todos os anos, milhares de residentes permanentes (green card holders) se alistam, e parte deles se torna cidadã por meio do serviço. Ao mesmo tempo, há desafios reais: rotinas de verificação de segurança, mudanças de políticas, trâmites de cidadania e reintegração à vida civil, emprego, saúde mental, moradia, que exigem apoio coordenado.
Veterans Day é uma data de pertencimento cívico. Ao reconhecer a contribuição de quem serviu, inclusive imigrantes que enxergaram na farda uma forma de retribuir ao país de adoção, a sociedade afirma valores de serviço público, disciplina e compromisso coletivo. Para a comunidade brasileira na Flórida, a lembrança é dupla: honrar todos os veteranos e reconhecer as histórias de compatriotas que trilharam esse caminho.
Em nome da Florida Review, deixamos nosso obrigado a cada veterano e às suas famílias. Que o 11 de novembro seja mais do que um feriado: um convite para escutar histórias, estender a mão e manter viva a memória de quem serviu.
Emanuel Farias é formado em Relações Internacionais e atua na área de marketing internacional e produção de conteúdo digital. Já trabalhou com tradução, atendimento internacional e branding, com foco em comunicação intercultural e posicionamento estratégico.
