De 9 a 19 de abril, a 43.ª edição do festival transforma Miami numa capital global do cinema
Há festivais de cinema — e há o Miami Film Festival.
Numa cidade que já é, por si só, um espetáculo de culturas sobrepostas, línguas cruzadas e energias improváveis, o festival regressa todos os anos para lembrar que o grande ecrã ainda tem o poder de reunir o mundo numa sala escura.
Em abril de 2026, a 43.ª edição promete ser uma das mais ambiciosas da história do evento, reforçando o lugar de Miami no mapa internacional do cinema.
Um programa para todos os olhares
A programação deste ano reúne 40 estreias mundiais, duas estreias internacionais, 11 estreias norte-americanas e cinco estreias nos EUA, num total de mais de 160 filmes entre longas-metragens, documentários e curtas, vindos de cerca de 45 países.
Há nomes consagrados, novos realizadores e produções independentes que chegam a Miami à procura do momento que pode mudar tudo.
A noite de abertura pertence a Tuner, o primeiro filme de ficção de Daniel Roher, vencedor do Óscar por Navalny.
O filme é protagonizado por Leo Woodall, no papel de um jovem afinador de pianos cujo ouvido extraordinário o arrasta para um universo inesperado — e perigoso.
O encerramento, a 19 de abril, fica a cargo de Power Ballad, do realizador irlandês John Carney, conhecido por Once.
No elenco estão Paul Rudd, como um cantor de casamentos em fim de carreira, e Nick Jonas, como uma estrela pop a tentar recuperar o brilho perdido.
Uma despedida com música, humor e aquela melancolia característica do cinema de Carney.
Nomes grandes, momentos únicos
O festival tem o talento raro de transformar salas de cinema em encontros inesperados entre público e estrelas.
Entre os homenageados deste ano estão:
- Adam Scott, que receberá o Vanguard Award
- Bob Odenkirk, distinguido com o Precious Gem Award
- Danielle Brooks e Lili Reinhart, com o Art of Light Award
- Sonia Manzano, homenageada com o Impact Award
Mas uma das presenças mais aguardadas será a de John Waters, que celebra o seu 80.º aniversário com um espetáculo especial no
Adrienne Arsht Center — uma apresentação que o próprio descreve como uma sessão radical de comédia.
Outro momento imperdível acontece a 15 de abril, quando Whiplash será exibido em concerto, com uma banda de jazz ao vivo a interpretar a banda sonora sob a direção do compositor Justin Hurwitz.
Cinema e música em fusão perfeita.
Miami como protagonista
O festival também celebra a própria cidade.
Este ano marca o regresso simbólico ao histórico
Tower Theater,
na Pequena Havana, que completa 100 anos em 2026.
Foi ali que, em 1960, surgiram as primeiras legendas em espanhol num cinema de Miami — um gesto que transformou o espaço numa referência cultural para a comunidade hispânica.
As sessões espalham-se por vários locais emblemáticos da cidade, incluindo:
- Pérez Art Museum Miami
- Vizcaya Museum & Gardens
- New World Center
- O Cinema South Beach
Mais do que um festival, é também um convite para redescobrir Miami.
Um festival que importa
Coberto por publicações como Variety, The Hollywood Reporter e IndieWire, e frequentemente listado entre os festivais mais relevantes do circuito internacional, o Miami Film Festival tornou-se um ponto de encontro entre o cinema americano, latino-americano e europeu.
Segundo a diretora de programação Lauren Cohen,
“Este ano reflete um momento extraordinário para o festival, com realizadores consagrados lado a lado com novas vozes do cinema mundial.”
Entre glamour, descoberta e diversidade, o festival continua fiel à sua essência:
dar espaço a histórias que merecem ser vistas — e ouvidas.
De 9 a 19 de abril, Miami pertence ao cinema.
E vale a pena estar lá.

Franciele Becuzzi escreve sobre música, shows, eventos e cultura, explorando experiências sonoras em suas múltiplas formas.
Eclética por essência, transita entre diferentes gêneros, cenas e épocas, guiada pela curiosidade e pela experiência sensorial que a música proporciona. Une vivência pessoal e olhar crítico ao escrever sobre artistas, shows, eventos culturais, movimentos musicais e narrativas sonoras. Seu trabalho dialoga com leitores que enxergam a música não apenas como entretenimento, mas como linguagem, refúgio e manifestação artística.
