Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta • PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Coordenadora de Pós-graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review
Durante décadas, falar em beleza era falar em superfície. Hoje, sabemos que cuidar da pele vai muito além da aparência: é entender o seu ecossistema invisível. Sim, invisível, porque a sua pele é viva, habitada por milhões de microrganismos que atuam em sincronia para proteger, equilibrar e preservar a integridade cutânea. Esse universo microscópico é conhecido como microbiota cutânea. E quando bem cuidado, ele se transforma em um dos mais potentes aliados contra inflamações, disfunções e envelhecimento precoce.
A estética, baseada em ciência e prevenção, olha para esse bioma com atenção clínica. A pele deixa de ser apenas uma estrutura externa e passa a ser vista como parte de um sistema interligado, influenciado por tudo: estilo de vida, alimentação, eixos hormonais, saúde intestinal e, principalmente, o estado do microbioma, tanto da pele quanto do intestino. Não por acaso, o eixo intestino-pele é uma das frentes mais promissoras na pesquisa em estética funcional e regenerativa.
A presença de probióticos, prebióticos e pós-bióticos em cosméticos e suplementos representa uma mudança de paradigma. Ao invés de combater imperfeições, passamos a favorecer o equilíbrio do próprio organismo para que ele responda com mais vitalidade. A pele que está inflamada, desregulada ou fragilizada pela perda da sua flora protetora apresenta mais sinais de sensibilidade, rugas, manchas, rosácea, acne adulta e perda de luminosidade. Em contrapartida, uma microbiota equilibrada atua como um escudo antiinflamatório e imunomodulador, silenciando processos degenerativos que, muitas vezes, passam despercebidos, mas aceleram o envelhecimento tecidual.
Esse tema tem sido o foco da minha trajetória científica. Em minha pesquisa de doutorado, desenvolvi e publiquei o estudo “Microencapsulation of Kluyveromyces marxianus and Plantago ovata in cheese whey particles: Protection of sensitive cells to simulated gastrointestinal conditions”, onde evidenciamos a eficácia de um novo probiótico encapsulado para uso oral, com alta adesão em células intestinais e resistência aumentada ao ambiente digestivo. Essa tecnologia, voltada inicialmente para saúde intestinal, mostrou-se altamente promissora, podendo ter respostas terapêuticas voltadas para modulação inflamatória sistêmica, com impactos indiretos e cientificamente mensuráveis, sobre a qualidade e a resposta cutânea. Trata-se de um avanço importante no uso de probióticos com vistas à saúde geral e a estética regenerativa.
O uso consciente de dermocosméticos com compostos bioativos como lactobacilos, inulina, niacinamida e extratos simbióticos, favorece a biodiversidade da pele, aumenta sua tolerância a procedimentos e melhora expressivamente a qualidade da epiderme. Ao mesmo tempo, o suporte sistêmico com probióticos orais e nutrientes com potencial antiinflamatório estimulam o equilíbrio da microbiota intestinal, com impacto direto sobre a pele, afinal, o intestino também conversa com a derme, por vias metabólicas, imunológicas e endócrinas. E é por isso que, na estética avançada, não se separa mais beleza de biologia.
Cuidar da microbiota é cuidar da estética com profundidade. Não se trata de fórmulas mágicas ou tendências passageiras, mas de compreender o funcionamento da pele como um sistema vivo, adaptativo e influenciado por múltiplas camadas invisíveis. Hoje, é possível associar tecnologias injetáveis e tópicas com protocolos que preservam e restauram esse ecossistema. O resultado se torna clínico, perceptível e duradouro.
Escolher o caminho da saúde tecidual é um ato de inteligência e autocuidado. A pele bonita não é a que parece perfeita, é a que responde bem, cicatriza rápido, tolera estímulos e brilha de dentro para fora. E essa pele começa com um bom relacionamento com suas próprias bactérias.
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