Por Dani Silvério
A última corrida do ano entregou exatamente o que se esperava de uma disputa tripla pelo título. Embora a largada reunisse algumas das maiores maiores estrelas da temporada, o clima no paddock e nas arquibancadas tinha outro protagonista: a matemática. Cada ultrapassagem, cada pit stop e cada posição perdida mudavam o destino do campeonato de 2025.
Max Verstappen, Oscar Piastri e Lando Norris chegaram a Abu Dhabi com chances reais de serem campeões. O cenário era complexo e cheio de ramificações, mas algumas combinações se destacavam. Se Piastri ou Verstappen vencessem, ambos precisavam que Norris terminasse abaixo do sexto lugar para conquistar o título. Em outras palavras, a corrida era uma equação em movimento.
A largada refletiu a intensidade da disputa. Verstappen saiu da pole, Piastri alinhou em segundo e Norris em terceiro. Piastri assumiu a liderança por várias voltas após apostar em uma estratégia de pit stop mais tardio, mas acabou ultrapassado por Verstappen na fase final da corrida. Ainda assim, o neerlandês lidava com outra variável silenciosa: Charles Leclerc. O piloto da Ferrari disputava com Norris o último degrau do pódio, e caso conseguisse superá-lo, Verstappen seria coroado campeão.
No fim, mesmo vencendo a prova, Max ficou a apenas dois pontos do título. E o momento histórico ficou reservado para Lando Norris, que finalmente se tornou campeão mundial de Fórmula 1.
Aos 26 anos, o piloto inglês consolida uma trajetória construída com paciência e confiança mútua com a McLaren, equipe pela qual estreou aos 19. Foram anos de amadurecimento, evolução e investimentos estratégicos que culminaram na primeira vitória de Norris no GP de Miami no ano passado e, agora, no tão esperado título mundial. A McLaren também encerra o ano com o troféu de construtores, selando uma temporada dominante e emocionalmente significativa para a equipe.
Mas se 2025 fechou um ciclo, 2026 já nasce com profundas mudanças.
Uma das figuras mais queridas do grid, Yuki Tsunoda, deixa seu assento após cinco temporadas e se torna piloto reserva. Seu lugar na Red Bull será ocupado por Isack Hadjar, calouro que brilhou pela Racing Bulls neste ano, pontuando em dez GPs e conquistando um pódio na Holanda. A decisão gerou debates intensos entre os fãs, que preferiam ver Hadjar continuar desenvolvendo sua trajetória na VCARB.
Com a promoção de Hadjar, a Racing Bulls também passa por renovação. Arvid Lindblad, mais um talento da academia Red Bull, fará sua estreia na Fórmula 1 ao lado de Liam Lawson, que segue para sua segunda temporada completa após um ano de afirmação.
E as mudanças não param por aí. O grid de 2026 marca um dos momentos mais impactantes da última década com a entrada de duas gigantes: Cadillac e Audi.
A Cadillac estreia com Sergio Pérez e Valtteri Bottas e, num primeiro momento, utilizará unidades de potência Ferrari, enquanto desenvolve seu próprio motor para os próximos anos. Já a Audi inicia sua jornada integrada à estrutura da Sauber, combinando engenharia alemã de ponta com uma estratégia ambiciosa para se tornar competitiva rapidamente.
E Norris confirmou que usará o número 1 no carro. Um privilégio reservado exclusivamente ao campeão mundial vigente, e que poucos pilotos da era moderna escolheram utilizar. Depois de tantas temporadas perseguindo esse sonho, ver o #1 estampado na McLaren será um marco para a história recente da equipe e para a própria trajetória de Norris.
A chegada dessas montadoras não apenas expande o grid, como também promete elevar o nível tecnológico, estratégico e financeiro da Fórmula 1. Se 2025 foi o ano da consagração de Lando Norris, 2026 se desenha como o começo de uma nova era — mais disputada, mais diversa e ainda mais imprevisível.
A temporada termina, mas a sensação é de que estamos apenas começando.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
