Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos observados em diversas áreas têm transformado múltiplos aspectos da nossa sociedade. Recentemente, a popularização da Inteligência Artificial (IA) tem proporcionado significativos avanços em diferentes aplicações, revolucionando e agilizando processos de tomada de decisão, acelerando negociações e dinamizando processos logísticos e industriais.
As origens da IA remontam a meados da década de 1950, quando os primeiros dispositivos computacionais foram criados, sendo Alan Turing o pai da máquina de estados que levou ao desenvolvimento dos computadores. Entretanto, o desenvolvimento do maquinário necessário para o devido processamento que daria às máquinas a capacidade de “pensar” só foi possível nas últimas duas décadas, com capacidade computacional suficiente para suprir o armazenamento de dados em larga escala e o desenvolvimento de complexos algoritmos capazes de interpretar diferentes questionamentos e disponibilizar respostas condizentes baseadas nas informações contidas em seus bancos de dados.
Dentre as possibilidades para o uso da IA, evidentemente, a educação merece destaque. Neste meio, as ferramentas de inteligência artificial oferecem soluções personalizadas que podem enriquecer o processo educacional, agilizando e avançando tópicos de maneira personalizada, identificando as necessidades do aluno e proporcionando acompanhamento individual.
Dessa forma, a IA se torna uma aliada poderosa na educação, com plataformas adaptativas que podem identificar o nível de conhecimento dos alunos e propor atividades individualizadas conforme as necessidades de cada estudante, lidando com dificuldades e habilidades específicas, atingindo um nível de personalização antes impensável no ambiente acadêmico e escolar. A intenção é trazer um ambiente capaz de se adaptar ao ritmo de aprendizado do aluno, consolidando o conhecimento de maneira eficaz.
Em outra frente de atuação, a IA pode contribuir para o trabalho dos educadores de maneira significativa, à medida que tarefas burocráticas podem ser automatizadas, acelerando atividades como correção de atividades, trabalhos e provas, lançamento de notas, elaboração de relatórios, etc. Com isso, os professores podem focar no processo pedagógico, estabelecendo estratégias de estudo mais efetivas, baseadas em evidências, como os resultados dos trabalhos apresentados pelos alunos.
A inteligência artificial representa, portanto, uma ruptura com o processo vigente. Os profissionais da educação passam a ser mentores no processo educacional, direcionando as atividades de ensino de forma individualizada, deixando o papel tradicional de professar e ditar o conhecimento para seus estudantes. Trata-se de uma mudança fundamental no processo de abordagem pedagógica: o professor passa de transmissor do conhecimento para mediador do processo de aprendizagem. Isso demanda não somente familiaridade com ferramentas tecnológicas, mas também o entendimento de como a dinâmica de aprendizagem se molda com o uso da IA.
O uso da IA se apresenta, dessa maneira, como uma oportunidade de impulsionar e resignificar o processo ensino-aprendizagem. Se bem utilizado, tem o potencial de democratizar o acesso ao conhecimento, tornando o ensino mais eficiente e preparando os alunos para os desafios do mercado de trabalho.
Entretanto, existem também preocupações relevantes no uso da IA para a educação. É necessário que os estudantes desenvolvam a sua capacidade de pensamento crítico. Uma eventual dependência da IA pode trazer uma acomodação indesejada, o que poderia prejudicar a evolução dos estudantes. Além disso, preocupações relacionadas à veracidade dos dados obtidos através de consultas a essas ferramentas podem ser questionáveis, sendo necessário pesquisar e identificar as fontes das informações de maneira a garantir a correção dos dados. É papel dos professores ressaltar a importância de não delegar a responsabilidade dos trabalhos aos dispositivos de inteligência artificial. Cada aluno é responsável pelas suas tarefas, trabalhos e publicações; existe um caráter ético a ser apresentado pelos educadores nesse caso.
Em resumo, a integração da IA ao campo educacional pode impulsionar enormemente o processo pedagógico. Seguindo uma abordagem crítica, ética e estratégica, processos individualizados de aprendizagem podem ser desenhados de maneira a potencializar as capacidades e habilidades de cada estudante, elevando o processo de aprendizagem. Cabe aos educadores, gestores educacionais e formuladores de políticas públicas pensar em como moldar o uso dessas tecnologias para extrair o que há de melhor, elevando o nível de conhecimento dos alunos, a fim de cumprir o papel primordial da educação, qual seja, o de proporcionar um espaço de transformação social.
Mauro Victório é um engenheiro eletrônico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em 2004 e atualmente está cursando o Mestrado na Florida Polytechnic University. Com mais de 15 anos de experiência em manufatura de produtos e desenvolvimento tecnológico, ele trabalhou em diversas áreas, incluindo pesquisas em sistemas de recepção de radar, câmeras térmicas infravermelhas e engenharia de testes de componentes semicondutores em processos de fabricação de DRAM. Sua experiência também abrange a coordenação do desenvolvimento de dispositivos de pagamento e controle de acesso, além da gestão de qualidade em processos de fabricação de DRAM. Ele possui uma sólida trajetória na coordenação de desenvolvimento de dispositivos esportivos e de medição de performance, como medidores de potência para ciclismo e monitores de frequência cardíaca. Ao longo de sua carreira, ele também lecionou por 10 anos em cursos de engenharia no Brasil, compartilhando seu conhecimento com futuros profissionais.
