Pela Equipe Editorial da Flórida Review
A música tem sido reconhecida como uma poderosa ferramenta terapêutica no tratamento de pacientes com Alzheimer, especialmente nos estágios mais avançados da doença. Embora ainda não exista cura definitiva, a música aparece como uma forma de resgatar memórias, estimular emoções positivas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O cérebro, mesmo afetado pela degeneração causada pelo Alzheimer, mantém áreas relativamente preservadas que respondem à música, como o sistema límbico e regiões ligadas às lembranças afetivas. Essa característica explica por que uma canção conhecida da juventude pode fazer com que um paciente volte a cantar, sorrir ou até dançar, ainda que tenha dificuldades para reconhecer familiares ou manter conversas.
Um exemplo real e documentado é o do projeto Music & Memory, criado nos Estados Unidos pelo assistente social Dan Cohen. O programa ganhou repercussão mundial após o documentário “Alive Inside” (2014), que mostrou pacientes em lares de idosos reagindo de forma emocionante ao ouvir músicas de sua juventude. Um caso marcante é o de Henry, um idoso que permanecia apático e silencioso até colocar fones de ouvido com canções de sua época. Em poucos minutos, ele voltou a interagir, a cantarolar e até a contar histórias, demonstrando o impacto da música em áreas cerebrais ligadas à identidade e à memória.
No campo científico, pesquisadores como Oliver Sacks e Gottfried Schlaug investigaram os efeitos da música em pacientes com Alzheimer e observaram que ela pode estimular a plasticidade cerebral, melhorar a comunicação e reduzir sintomas como agitação e ansiedade. Em alguns hospitais, sessões de musicoterapia são utilizadas para ajudar pacientes a se orientarem no tempo e no espaço, além de proporcionar momentos de conexão emocional com familiares e cuidadores.
Outro ponto importante é que a música não apenas ativa memórias, mas também gera bem estar por meio da liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, que promovem prazer e relaxamento. Isso é especialmente valioso em um contexto no qual o Alzheimer frequentemente provoca angústia e isolamento. Ao ouvir músicas significativas, os pacientes podem experimentar um alívio emocional, fortalecendo laços sociais e recuperando parte de sua identidade perdida.
Portanto, ainda que a música não cure biologicamente o Alzheimer, ela se consolida como uma forma de tratamento complementar que resgata a dignidade, a alegria e a conexão humana em meio às limitações impostas pela doença. Em vez de apenas preencher o silêncio, a música devolve vida à memória e cria momentos de lucidez e felicidade que são inestimáveis para pacientes e suas famílias.
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