Por Kiki Garavaglia
Estava em Joanesburgo visitando e me convidaram para conhecer o hotel cinco estrelas em Sun City, chamado The Palace. Um projeto incrível, construído no meio de um deserto cercado por uma floresta, floresta esta plantada árvore por árvore, com cascatas, piscina com ondas para surfar, nadar, mergulhar, etc. Inacreditável, tudo construído num deserto…
Soube que havia passeios de balão para conhecer a savana sul-africana. Não resisti, me matriculei! Acordei às 4h30 da manhã, fui sozinha me apresentar a uma inglesa que me aguardava para me levar ao local. Estava de camiseta, jeans e uma jaqueta. Lá, havia outro casal, e tínhamos que ajudar a desenrolar o gigantesco balão. Fazia um frio horrível! Me esqueci de que, no deserto, ao amanhecer, se congela! Me desculpei e disse que não estava aguentando de tanto frio, então me enfiei embaixo do carro até a hora de entrarmos no balão, arrependidíssima de ter inventado esse programa…
Tudo pronto, me chamaram para entrar na cesta do balão, que começou a subir lentamente, embalado pelo vento, num silêncio mágico. Comecei a ver gazelas, antílopes, girafas, búfalos, avestruzes ao meu alcance, todos felizes, correndo pela savana sem se incomodar com nosso silencioso balão subindo lentamente…
Foi tão bonito que me emocionei ao ver a beleza da natureza, com os bichos felizes e livres. Não queria que aquele passeio no balão acabasse nunca…
Voltando para Jo’burg, como os locais chamam Joanesburgo, comprei um enorme ovo de avestruz e fiquei com ele no colo a viagem de volta toda. Nem dormi, morrendo de medo de que caísse e quebrasse…

Quando cheguei no aeroporto do Rio de Janeiro, estava esperando minha mala, agarrada no ovo. Uma sul-africana me perguntou por que estava viajando com aquele ovo enorme na mão, em vez de ter colocado na mala. Expliquei que tinha medo de que quebrasse. Ela riu, pegou meu ovo e jogou no chão. Quase enfartei! Ela rolou de rir, pegou meu ovo e disse:
— Eles não quebram de jeito nenhum!
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
