2025 ficará marcado como um daqueles anos em que a política mundial parecia avançar em velocidade própria, às vezes lenta, às vezes abrupta, sempre carregada de tensões. Foi um período em que eleições importantes mudaram rumos, guerras persistiram apesar do cansaço internacional, e novas dinâmicas regionais ganharam força.
Preparamos um resumo mês a mês pelos fatos que moldaram o ano, alguns que você talvez lembre bem, e outros que pareceram se perder na avalanche de acontecimentos.
Janeiro: A volta de Donald Trump à Casa Branca
O ano começou com um dos eventos mais aguardados da política global: a posse de Donald Trump em seu segundo mandato, no dia 20 de janeiro.
O retorno do republicano à presidência dos EUA redefiniu imediatamente a agenda política doméstica e internacional. Vieram, logo nas primeiras semanas, ordens executivas endurecendo a política de fronteira, revisando programas humanitários e anunciando prioridades econômicas de forte apelo nacionalista.
A nova administração também sinalizou, desde o início, que reformularia sua relação com aliados europeus, retomaria pressão sobre a China e buscaria renegociar parâmetros de ajuda militar à Ucrânia, decisões que, como veremos, se tornariam temas recorrentes ao longo do ano.
Fevereiro: A crise no Mar Vermelho
Se você se lembra das manchetes sobre navios atacados, rotas desviadas e fretes disparando, foi em fevereiro.
O Mar Vermelho virou palco de tensões geopolíticas que rapidamente se traduziram em consequências econômicas. Com ataques a cargueiros e risco crescente para embarcações civis, grandes companhias de transporte desviaram rotas para o Cabo da Boa Esperança, aumentando custos de forma significativa.
O impacto foi sentido na Europa, nos EUA e até no Brasil, reacendendo o debate sobre a fragilidade das cadeias globais de suprimentos. Para muitos analistas, esse episódio foi o maior choque logístico desde a pandemia.
Março: A guerra da Ucrânia entra em seu terceiro ano
Em março, a invasão russa completou três anos e trouxe consigo um cenário de desgaste profundo.
Nas frentes de batalha, os avanços foram mínimos; na política, cresceu a sensação de “fadiga” entre aliados ocidentais. A discussão sobre continuidade da ajuda militar passou a dividir parlamentos europeus, enquanto Washington começava a repensar estratégias e pressionar por alternativas diplomáticas.
Foi também nesse período que surgiram as primeiras informações de que os EUA trabalhavam, discretamente, em um plano revisado de paz.
Preparamos uma matéria com uma análise do conflito e seus impactos globais.
Abril: A Argentina testa os limites de sua agenda de choque
Enquanto isso, na América do Sul, a política argentina dominou manchetes internacionais. O governo de Javier Milei, completando poucos meses no poder, aprovava reformas ambiciosas, desregulamentações, cortes de subsídios, flexibilizações trabalhistas.
O impacto econômico real ainda era incerto, mas a repercussão geopolítica foi imediata: investidores, governos vizinhos e organismos multilaterais observavam a experiência argentina como um experimento liberal radical em pleno século XXI.
Maio: Gaza segue sob tensão e as negociações de cessar-fogo travam
Em maio, o Oriente Médio voltou a ser epicentro de preocupação global. Tentativas de acordo mediadas pelos EUA, Egito e Catar pareciam avançar, com discussões sobre reféns, corredores humanitários e cessar-fogo temporário, mas nada se consolidou.
A pressão internacional aumentou, assim como a deterioração das condições humanitárias na Faixa de Gaza. Esse impasse alimentou críticas à diplomacia internacional e expôs a incapacidade das grandes potências de moderar o conflito.
Julho: Instabilidade na Venezuela reacende receio regional
O ano também foi marcado por uma série de episódios delicados na Venezuela. Em julho, relatos de uma tentativa de golpe e a resposta imediata do governo Maduro geraram tensão interna e externa.
Os Estados Unidos reagiram com declarações duras, sanções renovadas e, posteriormente, debates sobre possíveis medidas adicionais, inclusive cenários de contingência militar, segundo o Pentágono.
A instabilidade venezuelana ganhou dimensão regional quando Caracas voltou a autorizar voos para deportações vindas dos EUA, reforçando a centralidade da crise migratória no continente.
No final do ano, em dezembro, as tensões entre EUA e Venezuela voltaram ao centro da atenção global.
Setembro: Líderes do mundo se reúnem na ONU
Setembro trouxe a tradicional abertura da Assembleia Geral da ONU, com o Brasil, como sempre, abrindo a lista de discursos. Mas o que marcou a edição de 2025 foi o tom predominante: desconfiança generalizada, instituições multilaterais sob pressão e pouca convergência entre potências.
A guerra da Ucrânia, o conflito em Gaza, a regulação de tecnologias emergentes, a crise climática e a crescente rivalidade EUA–China dominaram os debates, reforçando a percepção de que o sistema internacional vive uma fase de transição delicada.
Leia sobre os pontos principais da Assembleia Geral.
Outubro: Migração domina o cenário político americano
Outubro foi o mês em que a política migratória dos EUA ganhou nova camada de complexidade. O governo Trump endureceu ações na fronteira, governadores republicanos ampliaram medidas estaduais e o tema rapidamente se tornou pauta central para as eleições de 2026.
Foi nesse mesmo contexto que surgiu o primeiro anúncio sobre o Gold Card, um programa federal para atrair profissionais altamente qualificados sinal de que o governo buscava uma política migratória dual: rígida na fronteira, seletiva nos vistos de mérito.
Novembro: O mundo olha para Belém na COP30
A realização da COP30 no Brasil, em Belém, transformou a Amazônia no centro das atenções internacionais. Negociações sobre financiamento climático, redução de desmatamento e transição energética dominaram o encontro.
Apesar de avanços diplomáticos, ativistas questionaram a ambição das metas, ao mesmo tempo em que reconheceram o protagonismo brasileiro como anfitrião. Foi um dos momentos de maior visibilidade global para o país no ano.
Escrevemos uma matéria condensando as principais informações sobre o que ficou decidido em Belém e porque isso importa.
Dezembro: Moscou admite preparar contatos com Washington
O último grande acontecimento político de 2025 veio em dezembro: o Kremlin confirmou que estava preparando contatos com os EUA para discutir um possível acordo de paz na Ucrânia, após reuniões americanas com europeus e negociadores ucranianos.
A informação de que uma reunião poderia ocorrer em Miami, e que representantes próximos a Putin participariam, colocou a diplomacia global em alerta. Paradoxalmente, poucos dias antes, o presidente russo havia endurecido o discurso, ameaçando expandir controle territorial se suas demandas não fossem atendidas.
Foi o encerramento de um ano em que a guerra continuou ditando o ritmo da política internacional.
Ao revisitar esses eventos, fica claro que 2025 não foi um ano de soluções, e sim de reconfiguração.
As forças que marcaram os últimos meses, conflitos prolongados, tensões migratórias, diplomacia climática, reorganização econômica e rivalidades entre potências chegam inteiras a 2026.
A triste realidade é esta: infelizmente o mundo entrará no ano novo com mais perguntas do que respostas. Como cessar a guerra na Ucrânia? Como garantir o desenvolvimento dos países mais pobres? Como alcançar as metas de sustentabilidade antes de alcançar o ponto de não retorno?
Contudo, também nos cabe ter a consciência de que os próximos passos, seja na Ucrânia, na Venezuela, na Casa Branca ou em Belém, definirão não apenas a política de 2026, mas a direção estratégica da presente década.
Emanuel Farias é formado em Relações Internacionais e atua na área de marketing internacional e produção de conteúdo digital. Já trabalhou com tradução, atendimento internacional e branding, com foco em comunicação intercultural e posicionamento estratégico.
