Por Kiki Garavaglia
Estava em Viena, na Áustria, nos anos 80, já meio entediada, e resolvi ir até Moscou e Leningrado, na Rússia (antiga São Petersburgo), para conhecer as famosas maravilhas da cidade. Cheguei em Moscou, achei-a velha, feia e suja, e logo peguei um trem noturno, dormindo rumo a Leningrado.
A cidade, inicialmente, se chamava “Petrogrado”, depois passou a se chamar São Petersburgo, e virou Leningrado em 1917, quando o estadista Lênin liderou uma revolução e implantou o comunismo, pondo fim à monarquia Romanov ao mandar executar toda a família real — inclusive crianças e idosos — já que o povo russo passava fome enquanto os Romanovs viviam em extremo luxo, alheios à realidade do país.
São Petersburgo foi construída em 1703 pelo famoso czar Pedro I, o Grande, para ser a capital dos czares. Diversos palácios foram sendo erguidos: Catarina, a Grande, em 1704, construiu um pequeno palácio chamado Hermitage, que depois sua sucessora, Catarina II, transformou no maior e mais belo palácio do mundo, para abrigar sua enorme coleção de arte impressionista.
Fiquei fascinada por uma gigantesca gaiola de pássaros, toda feita em ouro — inclusive os pássaros — enfeitados com pedras preciosas para dar cor e brilho.

O Barão Stroganov também construiu um lindo palácio, mas ficou famoso mesmo por ter inspirado o prato de carne “strogonoff”. Um ilustre hóspede seu, com dificuldades para cortar a carne com a faca, pediu ao cozinheiro que a picasse em pedaços pequenos… e assim nasceu o prato.
Imperdível também é a Catedral de São Isaac, com suas enormes colunas de mármore malaquita em verde-esmeralda — única no mundo!
Todas as pontes da cidade, sobre o rio Neva, têm enormes esculturas e magníficas luminárias francesas.
São Petersburgo, da época dos czares, ficou abandonada por muitas décadas durante a era comunista, mas, mesmo assim, permanecia deslumbrante. Nas duas vezes em que fui, fiquei fascinada com a beleza da cidade. Quando voltei, dez anos depois, ela já havia retomado o nome de São Petersburgo — e me deparei com toda a sua beleza, agora com um turismo intenso e um povo russo alegre, feliz, simpático e comunicativo, bem diferente da sisudez do passado.
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
