Por Dra. Leticia Sangaletti
Ao preparar uma palestra sobre Atendimento e Comunicação para funcionários públicos, me deparei com uma frase que sempre abordo em meus talks e andava até meio esquecida: Seja um resolvedor de problemas, e não um causador. Isso venho observando há anos em diferentes espaços e contextos profissionais: é valorizado quem resolve. E claro, o mundo valoriza quem sabe comunicar isso. Em tempos de visibilidade, não basta entregar resultados, isso já não é suficiente, mas necessário também, traduzir, demonstrar e evidenciar de forma significativa o que foi feito.
Importante pontuar, nesse ínterim, que resolver problemas não é apenas uma questão de eficiência técnica, mas uma habilidade extremamente complexa, que exige escuta, interpretação de texto, tomada de decisão e ações claras e concisas. No fim das contas, resolver problemas é uma forma elevada de comunicação, e ao comunicar com transparência, empatia e estratégia, te torna indispensável e útil nesse processo.
Minha experiência profissional de quase 15 anos na comunicação, sobretudo na assessoria do Poder Legislativo e frente à Brevê Comunicação e Marketing, me fez perceber que o diferencial da nossa atuação está na capacidade de compreender a “dor do outro”. Quer dizer, vai além de campanhas, textos ou planos de mídia, às vezes o cliente nem conseguiu formular e precisamos entender. Muitas vezes, essa dor está nas entrelinhas, e chega com uma demanda travestida de urgência, mas o que realmente precisa ser feito exige investigação, escuta ativa e tradução cuidadosa. Quando conseguimos nomear o problema certo, a solução se torna mais simples e mais potente. Por isso sempre insisto (e já falei isso aqui): o óbvio tem que ser dito e toda dúvida é legítima, portanto, pergunte!
Essa mesma lógica se aplica a quem atende na saúde, no setor público, em empresas pequenas ou grandes. Resolver não é apenas cumprir uma tarefa: é transformar a experiência do outro. Quem sabe se comunicar durante esse processo, seja ao explicar um procedimento, acolher uma frustração ou oferecer alternativas, constrói valor. Não só para a instituição onde trabalha, mas para si mesmo, enquanto profissional.
Isso me faz lembrar dos filmes Estrelas Além do Tempo e O Diabo Veste Prada. No primeiro, a capacidade de resolução transforma realidades. As protagonistas do filme não apenas calculam trajetórias espaciais: elas resolvem impasses com inteligência, discrição e impacto. E mesmo sem grandes discursos, comunicam excelência. Já no segundo, Andy não conquista respeito apenas por obedecer, mas quando aprende a ler o contexto, antecipar demandas e entregar soluções com precisão. Resolver com estratégia é uma linguagem (e das mais poderosas).
Para quem quer resolver problemas com criatividade, o livro Roube como um Artista, de Austin Kleon, é uma boa referência. O autor defende que criatividade é, acima de tudo, reorganizar o mundo, as ideias, os padrões. O verdadeiro criador é, muitas vezes, um resolvedor silencioso, alguém que vê o que está fora do lugar e encontra forma, sem necessariamente chamar atenção para si. Mas aqui está o ponto: é preciso deixar rastro. Resolver não significa apagar incêndios em silêncio. Significa, sim, construir soluções que podem (e devem) ser compreendidas, compartilhadas e reconhecidas.
Resumindo…
Lembre-se sempre que ser um resolvedor de problemas é mais do que uma competência técnica, é uma postura. E quem alia isso à boa comunicação, à capacidade de ouvir com atenção, explicar com empatia, apresentar soluções com clareza, se torna um profissional transformador.
Por isso, independente da sua função, sua área, seu momento: cultive a habilidade de resolver. Mas, sobretudo, aprenda a comunicar como e por que tu resolves. A comunicação é o que transforma a entrega em reputação, é o que faz o bastidor virar narrativa. É o que permite que aquilo que tu fazes com tanto cuidado se torne valor percebido.
E, talvez, essa seja uma das grandes competências do futuro: resolver com consciência, e claro, comunicar isso, de forma que percebam o que tu tens a oferecer. Não porque tu gritas mais alto, mas porque constrói sentido em tudo o que faz.
A Florida Review é mais do que uma revista, é uma entidade cultural com mais de quatro décadas de história, fundada por Chico Moura e fortalecida sob a liderança de Rodrigo Lisboa Soares. Desde o final dos anos 1980, expandiu seu impacto dentro e fora dos Estados Unidos, consolidando-se como referência editorial e ponte entre culturas. A Florida Review serve hoje a mais de um milhão de brasileiros ao redor do mundo, promovendo informação responsável, pensamento crítico e iniciativas filantrópicas que valorizam a identidade e a diversidade brasileira. Guiada por um compromisso inegociável com a verdade, livre de viés ou partidarismo, nossa missão é oferecer conteúdo relevante, atual e consciente que informa, conecta e inspira. Não somos apenas uma publicação digital: somos um patrimônio vivo da comunidade brasileira no exterior.
