Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta – PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Professora universitária e coordenadora de pós-graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review Magazine
Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso com profundidade, mas os hormônios sinalizam constantemente o que o corpo deve sentir, fazer ou ajustar. Eles modulam a regeneração, a energia, o sono, a resposta imunológica e até a forma como envelhecemos, por dentro e por fora. Quando estão em equilíbrio, quase não percebemos sua presença.
Mas quando fogem ao controle fisiológico, os efeitos são visíveis, sentidos e, muitas vezes, ignorados.
Na minha rotina clínica e acadêmica, percebo que uma das perguntas mais comuns entre pacientes e alunos é: “Por que estou envelhecendo tão rápido se me cuido tanto?”. E, na maioria das vezes, a resposta está em uma dimensão pouco explorada: o eixo hormonal.
O envelhecimento não começa na pele, mas sim nas bases fisiológicas e bioquímicas, e os hormônios estão entre os protagonistas deste sistema.
O estrogênio, por exemplo, é fundamental para a produção de colágeno, a hidratação cutânea e a espessura dérmica. Com sua ligação a receptores específicos, ativa genes que mantêm a elasticidade e a firmeza da pele. Sua queda, comum no climatério e na menopausa, acelera a flacidez e o ressecamento cutâneo.
Já a progesterona, além de regular o ciclo reprodutivo, atua no sistema nervoso central modulando o receptor GABA, o que justifica seu efeito ansiolítico e indutor do sono profundo. Quando seus níveis caem, aumentam os quadros de insônia, irritabilidade e
inflamação, inclusive na pele.
A testosterona é outro hormônio frequentemente subestimado quando falamos de estética, sua ação androgênica influencia diretamente a densidade dérmica, a firmeza muscular e o metabolismo lipídico. Sua queda afeta não só a libido e a disposição, mas também contribui para a perda de contorno facial e flacidez corporal.
O cortisol, por sua vez, talvez seja um dos hormônios mais importantes, e mais perigosos, no contexto do envelhecimento. Quando cronicamente elevado, ele intensifica a liberação de enzimas, chamadas metaloproteinases, que degradam colágeno, além de suprimir a síntese proteica e aumentar a inflamação sistêmica. É um verdadeiro acelerador silencioso do envelhecimento.
A insulina é o que alimenta as distorções sutis do metabolismo. Quando o paciente apresenta resistência a este hormônio, pode haver a formação de produtos de glicação avançada (AGEs), que danificam as fibras de colágeno e elastina, favorecendo a formação de rugas, manchas e flacidez precoce.
A melatonina, apesar de ser popularmente associada apenas ao sono, é um hormônio com potente ação antioxidante. Produzida à noite pela glândula pineal, ela estimula enzimas protetoras e regula a regeneração celular durante o sono profundo. Quando há privação ou má qualidade de sono, o impacto estético é visível: pele opaca, inflamação persistente e redução da capacidade de reparo.
Por fim, os hormônios tireoidianos, T3 e T4, são verdadeiros termostatos do metabolismo. Mesmo alterações subclínicas podem gerar lentidão metabólica, pele seca, ganho de peso, queda capilar e piora na resposta estética de tratamentos regenerativos.
Todos esses hormônios funcionam em sintonia. Quando um se desregula, os demais se ajustam em cadeia. É por isso que enxergar o paciente com um viés integrativo torna-se indispensável. E então surge a pergunta: “Teus hormônios te controlam?”. Mais do que provocativa, ela convida à escuta, ao reconhecimento de que a estética não se sustenta sem bioquímica, fisiologia e a biologia da vida.
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