Em Swan Song: Diana, My Sister, Charles Spencer revisita a infância ao lado da irmã, o casamento com o atual rei Charles III e faz novas alegações sobre os dias que seguiram a morte da princesa
Quase três décadas depois da morte de Diana, Princesa de Gales, seu irmão mais novo, Charles Spencer, decidiu registrar em livro sua própria versão de uma história acompanhada por milhões de pessoas ao redor do mundo.
Lançado nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, Swan Song: Diana, My Sister reúne memórias familiares, episódios privados e relatos sobre alguns dos períodos mais delicados da vida de Diana — da infância dos irmãos Spencer aos acontecimentos que cercaram sua morte, em Paris, em 1997.
A obra, publicada pela Penguin, tem 384 páginas e é apresentada pela editora como um retrato pessoal de Diana contado por alguém que esteve presente em sua vida muito antes de ela se tornar uma das mulheres mais famosas do planeta.
Uma Diana antes da família real
Charles Spencer e Diana eram os dois filhos mais novos da família e cresceram próximos. No livro, Spencer relembra uma infância marcada tanto pela cumplicidade entre os irmãos quanto por momentos familiares difíceis, incluindo o divórcio dos pais e experiências complicadas em internatos.
Segundo a editora, os dois tinham até apelidos particulares: Diana era chamada de “Duch”, enquanto Charles era “Carlos”.
A dinâmica familiar mudaria completamente depois que Diana se casou, em 1981, com Charles, então príncipe de Gales e hoje rei Charles III. A partir dali, ela passou a viver sob intensa exposição pública e se transformou em uma figura internacional.
Spencer também aborda o casamento da irmã e afirma que Diana chegou a questionar, antes da cerimônia, se deveria realmente seguir adiante por ter dúvidas sobre os sentimentos de Charles por ela. O episódio é apresentado como uma lembrança pessoal do autor.
A frase atribuída ao então príncipe Charles
Entre as revelações de maior repercussão do livro está uma conversa que Charles Spencer diz ter tido com o então príncipe Charles após a morte de Diana.
O diálogo teria acontecido durante uma discussão sobre o funeral e, principalmente, sobre a participação dos príncipes William e Harry na procissão atrás do caixão da mãe.
Na época, William tinha 15 anos e Harry, 12.
Spencer afirma que se opôs à ideia por acreditar que Diana não gostaria de ver os filhos submetidos àquela exposição diante de milhões de pessoas.
Segundo seu relato, durante a discussão, o então príncipe Charles teria dito:
“Rest assured, we’ll forget her soon enough.”
Em tradução livre: “Pode ter certeza, logo vamos esquecê-la.”
A declaração está entre os pontos mais controversos de Swan Song. Trata-se, no entanto, do relato de Charles Spencer sobre uma conversa privada ocorrida há quase 30 anos, e não de uma gravação ou declaração pública feita pelo atual rei.
O Palácio de Buckingham contestou a versão apresentada por Spencer e sugeriu que o luto vivido naquele momento pode ter afetado lembranças e interpretações dos acontecimentos. Spencer, por sua vez, manteve sua versão.
Spencer descreve reação de Charles após a morte de Diana
O livro também chama atenção por outra alegação do irmão de Diana.
Spencer afirma que, em uma conversa realizada depois da morte da princesa, o então príncipe Charles lhe pareceu “giddily elated”, expressão que pode ser traduzida como excessivamente animado ou eufórico.
Em outro trecho divulgado antes do lançamento, ele compara a impressão que teve do tom de Charles à de alguém que havia acabado de ganhar na loteria.
Spencer interpreta essa reação como uma possível sensação de que a morte de Diana removeria um obstáculo para que Charles pudesse seguir sua vida ao lado de Camilla Parker Bowles.
Essa interpretação pertence ao próprio autor e não é uma conclusão independente sobre o estado emocional do rei naquele momento. O Palácio de Buckingham rejeitou as alegações feitas por Spencer.
A disputa sobre William e Harry no funeral
A participação de William e Harry na procissão fúnebre tornou-se uma das imagens mais lembradas do funeral de Diana.
Os dois caminharam pelas ruas de Londres atrás do caixão ao lado do pai, do avô príncipe Philip e do próprio Charles Spencer.
No novo livro, Spencer afirma que tentou evitar que os sobrinhos participassem da caminhada por considerá-la uma exposição excessiva para dois adolescentes que haviam acabado de perder a mãe.
A discussão sobre quem deveria participar da procissão é descrita como um dos momentos de maior tensão entre Spencer e o então príncipe Charles nos dias que antecederam o funeral.
Uma oferta atribuída à rainha Elizabeth II
Outro episódio relatado pelo autor envolve a rainha Elizabeth II.
Segundo Spencer, após a morte de Diana teria sido apresentada a possibilidade de restaurar postumamente o tratamento de “Sua Alteza Real”, que ela havia deixado de usar depois do divórcio.
Spencer afirma ter recusado a ideia por considerar que a medida chegava tarde demais.
Assim como outros episódios narrados no livro, a informação parte da memória do autor sobre acontecimentos ocorridos dentro da família real e nos dias imediatamente posteriores à morte de sua irmã.
Diana além da imagem pública
Apesar da repercussão causada pelas revelações envolvendo a família real, Swan Song também se concentra na relação pessoal entre os irmãos.
Spencer procura apresentar Diana antes da fama mundial: uma irmã com quem dividiu a infância, conflitos familiares e momentos privados que dificilmente poderiam ser observados pelo público.
A editora descreve a obra como um relato sobre a vida de Diana e sobre a semana de sua morte, narrado a partir da perspectiva de Charles Spencer.
Para o autor, escrever o livro também representa uma maneira de registrar suas memórias antes do 30º aniversário da morte da princesa, que será lembrado em agosto de 2027.
Diana morreu em 31 de agosto de 1997, aos 36 anos, após o carro em que estava sofrer um acidente no túnel Pont de l’Alma, em Paris.
Quase 30 anos depois, Diana continua despertando interesse
O lançamento de Swan Song demonstra que, quase três décadas depois, episódios relacionados à vida e à morte da princesa continuam provocando enorme interesse internacional.
Diana permanece associada não apenas à história da monarquia britânica, mas também ao trabalho humanitário que desenvolveu, à relação com os filhos e à maneira como transformou a comunicação e a imagem pública da família real.
Ao mesmo tempo, as novas alegações de Charles Spencer voltam a colocar sob atenção um dos períodos mais delicados da história recente da monarquia britânica.
O livro não se apresenta como uma biografia imparcial ou definitiva de Diana. É, essencialmente, a história da princesa vista pelos olhos de seu irmão.
E é justamente essa proximidade que torna Swan Song relevante — ao mesmo tempo em que exige que suas revelações, especialmente aquelas envolvendo conversas privadas e interpretações pessoais, sejam entendidas como a versão de Charles Spencer sobre acontecimentos que continuam sendo debatidos quase 30 anos depois.
Fontes
Penguin Books — página oficial de Swan Song: Diana, My Sister, de Charles Spencer; publicação em 22 de setembro de 2026, informações editoriais e descrição da obra.
Reuters — 22 de setembro de 2026 — principais alegações apresentadas por Charles Spencer no livro, incluindo a conversa sobre o funeral de Diana e a frase atribuída ao então príncipe Charles.
Reuters — 22 de setembro de 2026 — repercussão do lançamento e contestação do Palácio de Buckingham às lembranças apresentadas por Spencer.
Reuters — 17 de setembro de 2026 — relato sobre a frase “we’ll forget her soon enough” e a reação do Palácio.
Reuters — 17 de setembro de 2026 — alegações de Spencer sobre a reação do então príncipe Charles após a morte de Diana.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
