Texto de Kiki Garavaglia
Viajei com três amigas para conhecer esse destino considerado um dos patrimônios naturais da humanidade.

Saímos de Hanói, capital do Vietnã, indo de carro até o porto de Halong para embarcarmos num barco/junco que alugamos, chamado “Valentine”. São embarcações típicas da região, com velas em formato de asas de borboleta, casco escuro de cor ocre — e esse era só para nós! O “Valentine” nos levou a essa baía formada por 3 mil ilhas e ilhotas, num mar verde-jade, deslizando lentamente e silenciosamente…
Cada uma de nós tinha sua própria cabine de luxo, além de uma sala de jantar, sala de visita e dois decks superiores!
Após almoçarmos, fomos num barco menor visitar as grutas, a maioria com estalactites gigantescas e grandiosas, com fendas que iluminam os salões — Sung So, Pakou e outras —, muitas habitadas por vários macacos e algumas aves.
Na ilha de Dim Huon e Ga Choi, descemos num barquinho para visitar um templo no topo da ilha. Disseram que era espetacular! No meio da subida, havia um cartaz escrito em três línguas com o aviso: “Idosos não recomendados a subir!” Já estávamos exaustas, pois era muito íngreme, e chegamos à conclusão de que… já éramos idosas. Desistimos!
Voltamos para “nosso” barco, descansamos, e depois nos serviram um jantar lindamente decorado. Mas… a comida vietnamita deles, sinceramente, era bem fraquinha!
Após a “ceia”, notamos que o “Valentine” e vários outros juncos se dirigiam para passar a noite numa baía protegida, calma e silenciosa. Em vez de ir dormir após um filme antigo e chato, subi sozinha para o deck superior, peguei uma cadeira e fiquei observando as estrelas e as pequenas luzes dos outros barcos na baía… e me dei conta de que foi um momento mágico na minha vida!
No dia seguinte, após uma aula de tai chi chuan, nós, às gargalhadas, recebemos um lauto café da manhã e partimos para observar as aldeias flutuantes, onde os nativos cultivam pérolas, peixes ornamentais e outras belezas artesanais deles.
Ao anoitecer, constatei que realmente estivera num dos lugares mais bonitos do mundo — e da minha vida.
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
