Texto de Kiki Garavaglia
James Thompson foi um empresário americano que fundou a mundialmente famosa Jim Thompson Thai Silk Company, uma companhia de sedas tailandesas.
Quando fui a Bangcoc, visitei o “museu/casa” dele e fiquei fascinada com sua história!

Nos 25 anos que passou na Tailândia (antigamente chamada de Sião), Jim Thompson ficou conhecido como o “legendário americano da Tailândia”. Ele chegou ao país nos anos 1940 e atuou como voluntário no exército americano durante a Segunda Guerra Mundial.
Ao final da guerra, estava em Bangcoc e decidiu se estabelecer por lá, pois havia se afeiçoado ao país e ao seu povo. Quis contribuir com o progresso local, inclusive ajudando financeiramente a população.
Em 1948, época em que a indústria da seda tailandesa estava em declínio, Thompson decidiu apoiar os artesãos locais a desenvolverem suas sedas, trazendo novas cores e acabamentos primorosos. Os lucros seriam divididos com os próprios artesãos.
Um amigo, Charles Baskerville – famoso pintor de Nova York – encantou-se com a beleza das sedas e levou vários lotes para apresentar às celebridades internacionais. Imediatamente, elas se tornaram um grande sucesso no mundo da moda e da decoração, tamanha a beleza e qualidade.
Até hoje essas sedas são famosas. Pela sua contribuição ao desenvolvimento da indústria tailandesa, ele recebeu a condecoração da Ordem do Elefante Branco, a maior honraria concedida a estrangeiros que prestam relevantes serviços ao país.
Em 1967, Jim Thompson saiu de férias com amigos na Malásia e resolveu fazer um passeio sozinho na floresta de Cameron. Resultado: nunca mais foi visto, e até hoje não se sabe o que aconteceu com ele. Assim começou a lenda de Jim Thompson…
Como não poderia deixar de ser, sua casa tornou-se um magnífico museu de arte asiática. Sua coleção de antiguidades e obras de arte é composta por esculturas, pinturas e porcelanas – peças que ele ia comprando ao passear pelas redondezas, numa época em que esse tipo de arte ainda não era valorizado.
A propriedade consiste em um complexo de seis casas no estilo tradicional tailandês, construídas com estruturas de madeira teca, típica da região. A construção foi concluída em 1959. A casa principal, além da famosa sala de jantar – que se tornou um restaurante renomado –, possui um grande salão de visitas com terraço, quarto principal e duas suítes para hóspedes, além do pavilhão das sedas.
Do outro lado do jardim, ficam as demais construções: o pavilhão dourado, o pavilhão das pinturas, os escritórios e a biblioteca.
Para quem for a Bangcoc, considero este um programa imperdível. Mas o que mais me fascinou no lugar foi participar da misteriosa lenda desse americano que desapareceu do mundo, deixando tanta beleza em tudo que fez…

Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
