Por Dra. Letícia Sangaletti
Depois de um tempo longe dos microfones, voltei recentemente para gravar dois episódios de podcast. O roteiro estava pronto, estudado e escrito por mim mesma. Mas, na hora de falar, me enrolei. As palavras sumiram e a pergunta que estava pronta em minha mente, desapareceu.
Talvez tenha ficado um enunciado longo para a convidada responder, mas ok. até que me saí bem da situação, embora confesso que conversava mentalmente comigo mesma, desacreditando do que acabara de acontecer. “Não pode ser”. Me questionei: teria sido falta de preparo? Ansiedade? Medo? Numa fração de segundo fiquei confusa, mas logo compreendi o que havia se passado. No último ano, em meio à gestação e ao nascimento do meu filho, diminuí significativamente o hábito da leitura, o que com certeza empobreceu meu vocabulário e repertório.
Voltei para casa refletindo sobre o que ensino repetidamente e que executo no exercício diário de trabalho: precisamos olhar com mais atenção para nosso capital comunicativo e de identidade. (Isso mesmo, da mesma forma que temos o capital cultural ou financeiro, temos o capital comunicativo). Compreender que o que o compõe (repertório, clareza, escuta e presença), nos proporciona uma oratória melhor, mais expressividade e claro, exala confiança.
O que acontece é que esse capital exige nutrição diária, constância. Se não o alimentarmos todos os dias com o que consumimos, a tela em branco aparece assustadora. E isso não se faz só com leitura, mas conversando com outras pessoas, escrevendo, escutando atentamente, assistindo produções, escutando músicas, viajando, passeando… Investir nosso tempo em melhorar nosso capital comunicativo, é buscar crescimento intelectual, social e cultural. Não dar atenção a isso vai fazer com que em algum momento nos faltem palavras, conexões e até mesmo segurança, pois fica difícil de falar em público, se apresentar para outras pessoas e às vezes dá até medo de escrever respostas virtuais.
E se tu queres deixar a folha em branco da mente toda escrita, siga estas dicas que vão te auxiliar a alimentar o seu capital comunicativo, mantendo uma comunicação clara, viva e impactante.
- Leitura como exercício diário: Não apenas livros técnicos, mas literatura, poesia, ensaios, notícias. Quanto mais variado o repertório, mais palavras e imagens teremos à disposição.
- Diálogo e escuta ativa: conversar com pessoas de diferentes áreas e estilos amplia nosso olhar. Escutar com presença nos ajuda a compreender além do óbvio e a enriquecer nossa forma de responder.
- Escrita e prática da palavra: Escrever, narrar, gravar áudios ou até manter um diário é um treino essencial. A prática organiza ideias, dá ritmo ao pensamento e mantém a musculatura da comunicação em movimento.
Entenda: o capital comunicativo não se herda e não se compra, ele se constrói no cotidiano, com disciplina, curiosidade e ao nos abrirmos a escutar os outros. No fim, comunicar é investir no nosso capital mais precioso: aquele que nos conecta uns aos outros e projeta nossa voz ao mundo.
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