Este mês completam-se 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Um dos conflitos mais devastadores da história, que remodelou as relações internacionais e os princípios que governam o mundo moderno.
Em setembro de 1945, o mundo respirava aliviado com a rendição formal da Alemanha, ocorrida em 8 de maio, e o Japão em 2 de setembro, após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. O impacto do conflito foi tão profundo que ainda hoje, 80 anos depois, suas consequências são sentidas em todos os aspectos da política global, da economia ao campo dos direitos humanos.
No final da guerra, o mundo emergiu em um estado de devastação física e psicológica. A reconstrução e a reinvenção da ordem internacional passaram a ser as principais prioridades para evitar que algo tão catastrófico se repetisse. Entre as principais inovações desse período, destaca-se a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) em 1945, com o objetivo de promover a paz e prevenir conflitos através do diálogo e da diplomacia.
Outro legado significativo da guerra foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 1948. O mundo, então, buscava se reerguer não apenas fisicamente, mas também moralmente. A Conferência de Genebra, em 1949, e outras convenções internacionais, como a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, seguiram com o intuito de garantir que os horrores da guerra não se repetissem.
O papel do Brasil na guerra
Em meio à grande conflagração, o Brasil teve um papel discreto, mas significativo, principalmente com a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. A FEB enviou cerca de 25 mil soldados para o campo de batalha, contribuindo para a derrota do Eixo na Europa.
Embora a participação do Brasil não tenha sido no mesmo nível de países como os EUA ou a União Soviética, a contribuição brasileira foi marcante, especialmente nas batalhas de Monte Castello e Roncaglia, que são frequentemente lembradas no contexto da história militar do Brasil.
No entanto, para muitos brasileiros, o Brasil não participou ativamente da guerra, o que resulta em uma percepção histórica um tanto distinta do papel desempenhado em comparação com outros países, como os Estados Unidos ou o Reino Unido.

O legado da Segunda Guerra: direitos humanos e a ONU
O fim da Segunda Guerra trouxe um avanço importante no campo dos direitos humanos. A criação da ONU, com a assinatura da Carta das Nações Unidas em 1945, foi uma tentativa de garantir que os países buscassem soluções diplomáticas antes de recorrer à violência. Além disso, o Tratado de Paz de Paris, que formalizou a paz com os países do Eixo, resultou em um novo sistema de governança internacional.
Se, de fato, houve uma transformação histórica nesse campo, muitas violações ainda persistem. Em relação aos direitos humanos, embora o pós-guerra tenha trazido avanços com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), assinada na época por 48 países, a realidade global nos dias de hoje é bem mais complexa. O mundo, em muitas regiões, ainda enfrenta conflitos armados, genocídios e violações de direitos humanos, como observamos em países como Síria, Iémen e Myanmar e até mesmo o conflito entre Rússia e Ucrânia
O que aprendemos, de fato?
A grande questão que permanece é: aprendemos o suficiente com a Segunda Guerra? O mundo, 80 anos depois, ainda vê conflitos internacionais recorrentes em várias partes do mundo. Embora a guerra fria tenha terminado e o mundo tenha se distanciado dos horrores do confronto direto entre potências nucleares, conflitos como os de Ucrânia, Síria e Iémen mostram que a guerra ainda não foi erradicada da política mundial.

A resposta para isso não é simples. Para muitos analistas, é evidente que os ensinamentos da Segunda Guerra nem sempre foram incorporados de forma plena. A coesão entre países ainda é frequentemente abalada por interesses nacionais e ideologias extremistas, que surgem como ameaças a valores fundamentais de paz e direitos humanos. O Brasil, no meio desse cenário, tem um papel de mediação estratégica, mas isso não isenta o país de desafios diplomáticos em um mundo ainda marcado por suas contradições.
É inegável que a Segunda Guerra Mundial deixou um legado imenso, não só pela construção da ONU, mas também pelas lições de como o mundo pode se fragmentar e se destruir. Mas é impossível não refletir sobre o fato de que, embora tenhamos avançado muito em algumas áreas, como direitos humanos e diplomacia internacional, o risco de novos conflitos continua presente. Não importa quanto o mundo evolua: como seres humanos, ainda estamos longe de aprender completamente com os erros do passado.
Emanuel Farias é formado em Relações Internacionais e atua na área de marketing internacional e produção de conteúdo digital. Já trabalhou com tradução, atendimento internacional e branding, com foco em comunicação intercultural e posicionamento estratégico.
