Pela Equipe Editorial da Flórida Review
A Agência de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) anunciou a criação de uma nova taxa de US$ 100 mil para determinados pedidos do visto H-1B, utilizado por empresas americanas que contratam profissionais estrangeiros especializados. A medida entrou em vigor em 21 de setembro de 2025 e rapidamente despertou preocupação no meio corporativo, especialmente entre companhias que dependem de talentos internacionais para manter suas operações.
A cobrança não atinge todos os casos de visto H-1B. Segundo a USCIS, o valor será exigido apenas em novas solicitações feitas para beneficiários que estão fora dos Estados Unidos e ainda não possuem um H-1B válido.
Ela também se aplica a processos realizados por meio de consulados, autorização em portos de entrada ou inspeção pré-embarque — procedimentos usados quando o profissional ainda não está legalmente no país.
Em outras palavras, a taxa é voltada a situações em que o visto será emitido fora do território americano, antes da entrada do trabalhador nos Estados Unidos.
Exemplo prático
Imagine que uma empresa de tecnologia em Miami contrate um engenheiro brasileiro que vive em São Paulo. Como ele ainda não tem o visto H-1B, a empresa precisa solicitar o documento via processamento consular, ou seja, o visto será concedido na embaixada americana no Brasil. Nesse caso, a taxa de US$ 100 mil será obrigatória.
Agora pense em outra situação: uma analista de dados indiana que já vive nos EUA com visto de estudante (F-1) recebe uma proposta de emprego. A empresa pode pedir apenas a mudança de status de F-1 para H-1B, sem necessidade de emissão consular. Nessa circunstância, a taxa não se aplica, pois o processo é interno.
De acordo com a USCIS, a empresa que patrocina o visto é a única responsável pelo pagamento da taxa. O custo não pode ser transferido ao trabalhador estrangeiro, e o pedido será automaticamente negado se o pagamento não for comprovado no envio da petição.
Advogados de imigração destacam a importância de preencher corretamente os formulários I-129 e I-797, pois erros simples — como selecionar a opção de “processamento consular” quando o profissional já está nos EUA — podem gerar cobranças desnecessárias.
Impactos e desafios
O visto H-1B é um dos principais instrumentos de imigração profissional dos EUA, utilizado por empresas nos setores de tecnologia, engenharia, saúde e finanças. Estima-se que mais de 600 mil trabalhadores estrangeiros estejam atualmente atuando sob essa categoria.
A nova taxa pode representar um desafio especialmente para startups e empresas de pequeno porte, que têm menos recursos para arcar com o valor adicional. Na Flórida, onde cresce o número de empresas de inovação e tecnologia que contratam estrangeiros, especialistas alertam que a medida pode reduzir a competitividade local e dificultar a atração de talentos internacionais.
Quem está isento da taxa
Segundo as novas orientações da USCIS, a maioria dos profissionais que já vivem e trabalham legalmente nos EUA não será afetada. Estão isentos da cobrança:
- Trabalhadores com visto H-1B ativo que pedem extensão, emenda ou renovação;
- Estudantes com visto F-1 que solicitam mudança de status para H-1B sem deixar o país;
- Petições que envolvam mudança de empregador ou prolongamento da permanência dentro do território americano.
A taxa de US$ 100 mil marca uma mudança importante na forma como os Estados Unidos administram a entrada de profissionais qualificados. Embora o governo justifique a medida como parte de um esforço para modernizar e fiscalizar o sistema, especialistas acreditam que ela trará novos desafios financeiros para empresas e trabalhadores estrangeiros.
Empregadores e candidatos devem analisar com atenção as novas regras, confirmar se o caso se enquadra na cobrança e consultar advogados especializados para evitar erros e custos desnecessários.
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