Visionário, inquieto e movido pelo propósito de transformar ideias em resultados concretos, Wellington Borges dos Santos construiu uma trajetória marcada por inovação, liderança estratégica e reconhecimento internacional. Da televisão regional à criação de soluções digitais para grandes corporações e PMEs, ele se destacou por unir tecnologia, comunicação, cultura e performance — sempre com foco em impacto real. Nesta entrevista exclusiva, Wellington revisita marcos importantes da carreira, compartilha aprendizados sobre gestão, inovação e liderança, e revela a visão que o levou a ser reconhecido por instituições de referência na América Latina e no exterior. Um diálogo inspirador sobre método, coragem empreendedora e futuro dos negócios.

1) Sua carreira começou ainda na TV Integração, afiliada da Rede Globo. Como essa experiência em comunicação e marketing moldou sua visão sobre negócios e inovação?
WB: Comecei na TV Integração traduzindo produtos nacionais para a realidade local e construindo pontes com agências e anunciantes. Isso me ensinou que comunicação é estratégia: quando o produto certo encontra a linguagem correta, com a métrica certa, o crescimento acontece. Ao gerir o PRIM, o Prêmio Rede Integração de Mídia, aprendi a usar dados de audiência, eficácia de campanha e critérios de qualidade para orientar decisões. Foi meu primeiro laboratório de gestão orientada por evidências.
2) Você participou da transição do analógico para o digital no início dos anos 2000. Que lições essa virada tecnológica trouxe para o seu modo de pensar estratégias empresariais?
WB: Vivi a mudança de vender intervalos de TV para vender resultados digitais. A grande lição foi que tecnologia não é fim, é meio. O que importa é mudança de comportamento e novo modelo mental. Requalifiquei times, redesenhei funis e passei a medir sucesso por indicadores de negócio, como aquisição, retenção e LTV, em vez de métricas de vaidade.
3) A partir da sua passagem pela Algar Telecom, quais foram os maiores aprendizados em gestão estratégica e inovação em larga escala?
WB: Na Algar estruturei o business case do 3G. Foi um exercício de rigor em modelagem financeira, forecasting, pricing e priorização de portfólio. Aprendi a vender um futuro plausível, com números sustentando visão, e a operar em escala sem perder disciplina de execução.
4) Como foi liderar projetos com grandes players como Google, Facebook e Zurich Seguros? Que aprendizados essas parcerias internacionais trouxeram?
WB: Com grandes players, liderança começa por alinhamento de objetivos e governança clara. É fundamental definir quem decide o quê e qual métrica importa. Transformei parceria em co-criação, respeitando padrões globais e adaptando ao contexto local. O resultado foram soluções mais sólidas, escaláveis e medidas por impacto real.
5) O que motivou a criação da Ideation Cube e quais foram os principais desafios para consolidá-la como referência em inovação digital?
WB: Criei a Ideation Cube para resolver o descompasso entre promessa tecnológica e resultado de negócio. O maior desafio foi dizer não ao genérico e focar em ofertas com playbook repetível, como PME+, MKT Medical e programas de adoção de IA. A consolidação veio com cases comprovados, referências orgânicas e parcerias estratégicas.
6) Você tem mais de 15 anos atuando com transformação digital. Na sua visão, o que diferencia uma empresa tecnologicamente digital de uma verdadeiramente inovadora?
WB: Empresa digital usa ferramentas. Empresa inovadora muda como decide, mede e aprende. A diferença está em cultura, ambidestria e ciclo rápido de feedback. Explorar e explorar ao mesmo tempo, com OKRs vivos, squads que testam hipóteses e cliente no centro.
7) O projeto PME+ impactou mais de 120 pequenas empresas. Qual foi o segredo para traduzir tecnologia em resultados concretos para esse público?
WB: Traduzi tecnologia em passos concretos. Diagnóstico 360 graus, metas trimestrais, funil claro, CRM bem configurado, conteúdo que vende e rotina de revisão de pipeline. O segredo foi operacionalizar o simples. Poucas métricas que importam, rituais semanais e aprendizado rápido.
8) Durante a pandemia, você ajudou dezenas de negócios a migrar para o ambiente digital. Que histórias mais o marcaram nesse processo de resiliência?
WB: Vi empresários salvarem empregos ao migrar em semanas para delivery, e-commerce e atendimento remoto. O que mais me marcou foi a coragem de recomeçar. Quem ouviu o cliente, simplificou a oferta e comunicou com empatia voltou a crescer. A tecnologia foi o trilho, e a liderança foi a locomotiva.
9) A vertical MKT Medical nasceu de uma necessidade de digitalizar médicos e clínicas. Quais tendências você identifica hoje na interseção entre saúde e tecnologia?
WB: Saúde caminha para experiências híbridas. Jornada digital antes, durante e depois da consulta, conteúdo educativo, agendamento fluido, prontuário integrado, telemedicina seletiva e uso de inteligência artificial para triagem e comunicação. O diferencial está em confiança e conveniência.
10) Você costuma dizer que a venda é o coração de qualquer negócio. Como o marketing estratégico pode sustentar essa visão no cenário atual?
WB: Marketing estratégico sustenta a venda quando é responsável por pipeline, e não apenas por awareness. Isso exige unit economics claros, funis conectados ao CRM, conteúdo que remove objeções e metas alinhadas a receita, margem e payback.
11) Você já mentorou mais de nove startups e impactou milhares de empreendedores. O que mais o inspira nesse papel de mentor?
WB: O que me move é ver ideias virando tração. Quando um empreendedor entende o ICP, encontra distribuição eficiente e aprende a dizer não, a empresa muda de patamar. Gosto de ensinar a pensar o negócio e de ver o brilho nos olhos quando os números confirmam a tese.
12) Em suas palestras no SEBRAE e universidades, quais temas mais despertam interesse dos jovens empreendedores brasileiros?
WB: Jovens empreendedores querem saber como vender, como escalar e como usar inteligência artificial sem se perder. Falo sobre oferta irresistível, canais de aquisição, posicionamento, precificação e uma rotina de gestão simples que gera resultado.
13) Como formar líderes que consigam inovar sem perder o foco em resultados tangíveis?
WB: Três pilares sustentam esse líder. Clareza estratégica, métricas que importam e rituais de execução. Líder bom simplifica, decide com dados, protege o time do ruído e aprende em público. Cultura vem do exemplo.
14) Em que medida a sua formação em Inovação, Design e Estratégia pela ESPM-SP influencia sua atuação como estrategista empresarial?
WB: A ESPM me deu método para alinhar desejo do cliente, viabilidade de negócio e factibilidade tecnológica. Uso Design Thinking para descobrir valor, estratégia para priorizar e governança para sustentar crescimento.
15) Você acredita que a inovação é mais uma questão de cultura organizacional ou de liderança inspiradora?
WB: Cultura e liderança são inseparáveis. Liderança cria símbolos e rituais. Cultura preserva e multiplica. Sem liderança, a cultura enfraquece. Sem cultura, a liderança vira esforço solitário.
16) Em 2009, você recebeu o prêmio Master in Total Quality Administration pelo Latin American Quality Institute. O que essa conquista representou em sua trajetória?
WB: Foi o reconhecimento de um estilo de gestão que une qualidade, cliente e resultado. Reforçou minha responsabilidade de elevar o padrão em tudo que lidero.
17) O LAQI utiliza o modelo LAEM, Latin American Excellence Model. De que forma esse modelo dialoga com sua filosofia de gestão e qualidade?
WB: O LAEM conecta liderança, estratégia, cliente, processos e resultados. É assim que penso gestão. Cliente no centro, processos simples, melhoria contínua e indicadores que guiam decisão.
18) Além do certificado, você também recebeu a Cruz de Malta, uma distinção de Honra ao Mérito. Qual o significado pessoal e profissional desse reconhecimento?
WB: Encarei como um chamado à exigência permanente. Mérito celebra o passado, e também lembra que excelência é prática diária.
19) Como você avalia o papel de instituições como a LAQI na promoção da excelência e competitividade na América Latina?
WB: Elas criam referenciais comuns e premiam quem entrega valor real. Isso eleva a barra de qualidade e favorece a competitividade regional.
20) De que maneira essa certificação influenciou a percepção internacional sobre sua carreira e seus negócios?
WB: Abriu portas em conversas executivas, especialmente com grandes empresas. Sinaliza que governo, cliente e resultado andam juntos na minha visão de gestão.
21) Você liderou projetos em múltiplos países da América Latina. Quais diferenças culturais mais influenciam o modo como a inovação é aplicada em cada mercado?
WB: A maior diferença é o contexto de execução. Regulação, crédito, infraestrutura e maturidade digital variam muito. A inovação funciona quando respeita a cultura local e resolve o problema específico daquele mercado.
22) O que mais o impressiona na forma como as empresas norte-americanas encaram a inovação em comparação às brasileiras?
WB: Nos Estados Unidos vejo foco em especialização, playbooks e métricas. No Brasil vejo criatividade e adaptabilidade. O híbrido é poderoso, criatividade com disciplina.
23) Quais tecnologias emergentes você acredita que transformarão o futuro do marketing e da gestão empresarial nos próximos anos?
WB: Inteligência artificial generativa e preditiva, automação de processos, data cloud, tecnologias de privacidade, assistentes autônomos, composição low-code e realidade estendida em educação e treinamento.
24) Como a inteligência artificial pode ser usada de forma estratégica para gerar crescimento sustentável, especialmente em PMEs?
WB: Começa com casos de uso simples. Atendimento, qualificação de leads, propostas, follow-up e controles financeiros. A regra é fazer pequenas automações com grande consistência. Medir, aprender e ampliar.
25) Você já declarou ser um tradutor entre tecnologia e resultado. Pode explicar essa ideia?
WB: Eu pego o jargão técnico e transformo em linguagem de negócios. Qual problema resolve, qual métrica muda, quanto custa e quando retorna. Tecnologia que não vira linha de resultado é custo.
26) Depois de tantos prêmios e conquistas, o que o motiva a continuar empreendendo e ensinando?
WB: Ver empresas crescerem, empregos surgirem e famílias avançarem. Empreender é impacto real, e eu gosto de construir pontes para isso acontecer.
27) O que significa, para você, ser reconhecido internacionalmente por um trabalho que nasceu no Brasil?
WB: É orgulho e responsabilidade. Mostra que método, ética e trabalho são idiomas universais. Levo o Brasil comigo em tudo que faço.
28) Que conselho você daria aos empreendedores que hoje tentam transformar ideias em negócios sustentáveis?
WB: Escolha um problema importante, faça uma oferta clara, encontre um canal que traga clientes de forma repetível, controle seus números e aprenda mais rápido que os outros. O resto é execução todos os dias.
_________________________________________________
A Florida Review está comprometida em destacar profissionais e empresas excepcionais que contribuem para a vitalidade econômica e o avanço tecnológico.
A Florida Review é mais do que uma revista, é uma entidade cultural com mais de quatro décadas de história, fundada por Chico Moura e fortalecida sob a liderança de Rodrigo Lisboa Soares. Desde o final dos anos 1980, expandiu seu impacto dentro e fora dos Estados Unidos, consolidando-se como referência editorial e ponte entre culturas. A Florida Review serve hoje a mais de um milhão de brasileiros ao redor do mundo, promovendo informação responsável, pensamento crítico e iniciativas filantrópicas que valorizam a identidade e a diversidade brasileira. Guiada por um compromisso inegociável com a verdade, livre de viés ou partidarismo, nossa missão é oferecer conteúdo relevante, atual e consciente que informa, conecta e inspira. Não somos apenas uma publicação digital: somos um patrimônio vivo da comunidade brasileira no exterior.
