Por Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta | PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Professora Universitária e Coordenadora de Pós-Graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review Magazine – Miami, USA
Durante muitos anos, a estética concentrou seus esforços em tratamentos tópicos e procedimentos realizados diretamente sobre a pele. No entanto, a ciência vem demonstrando que o envelhecimento cutâneo, a inflamação crônica e distúrbios pigmentares como o melasma são processos sistêmicos, influenciados por mecanismos biológicos que se iniciam muito antes de se manifestarem na superfície da pele.
Hoje sabemos que procedimentos estéticos de alta performance, quando associados a estratégias nutricionais e suplementação oral baseada em evidências científicas, podem apresentar resultados mais consistentes, duradouros e biologicamente sustentáveis.
O conceito conhecido como “inside-out beauty” ou beleza de dentro para fora representa uma das principais tendências da estética contemporânea. A base fisiopatológica dessa abordagem está relacionada ao controle do estresse oxidativo.
A exposição diária à radiação ultravioleta, poluição ambiental, privação de sono, dieta inflamatória e estresse psicológico promove uma produção excessiva de espécies reativas de oxigênio (ROS). Essas moléculas desencadeiam danos ao DNA celular, oxidação lipídica, degradação das fibras de colágeno e ativação de vias inflamatórias associadas ao envelhecimento cutâneo.
Além da degradação da matriz extracelular, o excesso de radicais livres também participa da ativação melanocítica observada no melasma, reforçando a importância dos antioxidantes como ferramentas terapêuticas complementares.
Entre os antioxidantes mais estudados atualmente destaca-se a vitamina C. Muito além do seu papel clássico na imunidade, a vitamina C atua como cofator essencial para as enzimas prolil e lisil-hidroxilase, fundamentais para a síntese adequada do colágeno. Estudos demonstram que sua suplementação oral aumenta a capacidade antioxidante cutânea e melhora os mecanismos de defesa contra danos induzidos pela radiação ultravioleta.
Outro composto amplamente investigado é o resveratrol, um polifenol encontrado nas uvas tintas e em algumas frutas vermelhas.O resveratrol exerce atividade antioxidante por meio da ativação das sirtuínas, especialmente a SIRT-1, considerada uma das principais proteínas associadas à longevidade celular. Além disso, apresenta ação anti-inflamatória ao modular NF-κB, reduzindo a produção de citocinas pró-inflamatórias e contribuindo para a preservação da integridade dérmica. Estudos sugerem ainda potencial benefício em processos relacionados ao fotoenvelhecimento e à hiperpigmentação cutânea.
A cúrcuma, especialmente através de seu principal composto bioativo, a curcumina, também vem despertando grande interesse científico. A curcumina apresenta potente capacidade antioxidante e anti-inflamatória, atuando sobre múltiplas vias moleculares envolvidas no envelhecimento, incluindo NF-κB, COX-2 e mediadores inflamatórios relacionados à degradação do colágeno. Sua ação sistêmica contribui para reduzir a inflamação de baixo grau que acelera o envelhecimento cutâneo.
Uma revisão sistemática recente identificou benefícios clínicos relevantes com vitamina C, glutationa, silimarina, licopeno e Polypodium leucotomos, especialmente quando utilizados como adjuvantes aos tratamentos convencionais.
Entre eles, o Polypodium leucotomos merece destaque. Derivado de uma samambaia tropical da América Central, esse ativo possui potente ação fotoprotetora sistêmica. Estudos demonstram sua capacidade de reduzir danos oxidativos induzidos pela radiação UV, modular a inflamação cutânea e diminuir estímulos envolvidos na hiperpigmentação. Em pacientes com melasma, sua associação com fotoproteção e tratamentos despigmentantes mostrou melhora clínica superior quando comparada às terapias isoladas.
A glutationa também tem recebido atenção crescente. Conhecida como o principal antioxidante intracelular do organismo, participa diretamente da neutralização de radicais livres e da modulação da melanogênese. Evidências recentes sugerem que sua utilização pode contribuir para o clareamento de manchas e para o controle do estresse oxidativo associado ao melasma.
Entretanto, é importante compreender que a suplementação oral não substitui procedimentos estéticos, fotoproteção ou cuidados com a pele. Seu papel é complementar. Quando utilizada de forma individualizada e baseada em evidências científicas, a estratégia antioxidante oral pode criar um ambiente biológico mais favorável para a regeneração tecidual, potencializando os resultados de tecnologias como lasers, bioestimuladores de colágeno, microagulhamento, peelings químicos e procedimentos injetáveis.
