Texto da Kiki Garavaglia
Estava em Siem Reap, no Camboja, resolvi chamar duas amigas a ir até o famoso e misterioso templo de “Rajavihara”, que foi construído em 1186 pelo rei Jayavarman para sua família e todos seus empregados com suas famílias também, e foi residência de 12 mil pessoas! Além de seus cavalos, elefantes, cachorros…

Quando caiu o Império Khmer, no século 15, “Rajavihara” foi abandonado e esquecido durante centenas de anos até o século 20, quando uns franceses foram restaurar os famosos templos de Angkor. Passeando pelas redondezas, descobriram “Rajavihara”, envolto pela floresta! Nunca tinham visto tal fenômeno, pois as árvores e raízes foram avançando pelas paredes, entrando por portas e janelas sem nada destruído, nenhuma pedra solta, intacto! As figuras talhadas nas pedras se misturavam com as imensas raízes centenárias, hipnotizante!! O gigante templo continuava coberto pela selva, sem nenhuma pedra ou estátua solta, como se os moradores tivessem partido recentemente ao chegar das raízes…

Ao entrar no templo com as amigas, ficamos mudas de emoção no maior silêncio… E cada uma foi andando para um lado, hipnotizadas, extasiadas… Após certo tempo me vi sozinha andando sem rumo e notei que sombras se tornavam mais escuras com a chegada do pôr do sol, aquele total silêncio, ninguém ao redor, só aquelas raízes gigantes que pareciam vivas…

Fui perambulando pelo templo quando escuto um apito fortíssimo. As amigas apareceram assustadas, e me deparo com um segurança que começou a gritar em cambojano e eu tentando explicar: “Only English, don’t understand”… Ele conseguiu me fazer entender que tínhamos que ir embora, estava tarde… Expliquei com dificuldade que vinha do Brasil, muito longe, e dei 2 dólares para ficarmos um pouco mais e ele ficou encantado dizendo: “Ok, ok…”
Continuei andando, entrando e saindo e notei que tinha perdido de vista as amigas e logo começou a escurecer… De repente achei que aquelas raízes eram capazes de me envolver também. Era melhor ir embora…

Milagrosamente conseguimos achar nosso táxi, que estava nos esperando perto de uma mureta, no maior mal humor. Entramos e ficamos mudas… Não tínhamos palavras de tamanha emoção e beleza por tudo que tínhamos visto e sentido em Ta Prohm…


Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeus.
Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste siático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
