Entrevista por Michele Vanzella
A carreira diplomática exige estudo, resiliência, comunicação estratégica e uma compreensão profunda dos movimentos econômicos e políticos globais. Além disso, requer sensibilidade intercultural e readiness para lidar com desafios complexos. Em uma conversa exclusiva, o Diplomata e Diretor da Apex-Brasil nos EUA (Escritório de Nova York), Rodrigo Fonseca, compartilhou insights sobre sua trajetória, sua atuação e sua visão geopolítica.

1 — Rodrigo, você tem uma vasta experiência como diplomata brasileiro pelo mundo. Como começou essa trajetória e qual sua formação?
RF: Iniciei minha carreira como diplomata e, nessa função, tive a oportunidade de servir em diversas missões brasileiras no exterior. Cada posto me proporcionou vivências únicas e um aprendizado contínuo, sempre inserido em ecossistemas culturais, econômicos e políticos muito diferentes entre si.
2 — Você esteve atuando em Miami e Orlando junto aos consulados. Como foi essa experiência?
RF: Foi uma experiência extremamente gratificante. Pude me conectar diretamente — sem intermediários — com nossa ampla comunidade brasileira. Acredito que contribuí para o diálogo e para a compreensão das necessidades dos mais de 500 mil expatriados residentes na Flórida, além de toda a demanda gerada pelos turistas.
3 — No seu momento atual, você é Diretor da Apex em Nova York. Quais as oportunidades para empresas brasileiras nos EUA?
RF: Hoje, na Apex em Nova York, atuo na captação de investimentos para o Brasil. Nosso país oferece inúmeras oportunidades para o capital estrangeiro — transição energética, agroindústria, mineração, entre muitas outras. A lista é extensa, e o potencial é significativo.
4 — Economia e geopolítica andam juntas?
RF: Economia e geopolítica sempre caminharam lado a lado ao longo da História. Com a desglobalização, isso se torna ainda mais evidente. Hoje, é raro ver um acordo internacional — mesmo que voltado ao comércio — que não carregue consigo elementos geopolíticos e objetivos estratégicos de países ou blocos. As decisões não se limitam ao aspecto comercial: envolvem alinhamento político, diplomático e projeção de poder. Veja o caso das sanções americanas aplicadas a países que continuam comprando óleo e combustível da Rússia, como a Índia, que enfrenta tarifas elevadas e pressões decorrentes dessa escolha.
5 — Quais os maiores desafios da carreira diplomática — e as maiores alegrias?
RF: As emoções são muitas. Participar de negociações estruturantes — como quando, ainda jovem terceiro-secretário, pude contribuir para as tratativas que levaram à construção da Ponte Internacional São Borja–Santo Tomé — é algo marcante. No campo consular, ajudar uma família brasileira em situação delicada no exterior também traz enorme satisfação. Entre os desafios, destaco a distância: ficar longe do país e, muitas vezes, da família, é algo emocionalmente exigente e desgastante.
6 — Dicas para quem quer investir nos EUA: por onde começar?
RF: A principal orientação é informação. Acompanhar o noticiário, conversar com pessoas que já atuam nos Estados Unidos e estar atento às oportunidades — e às armadilhas. É importante avaliar com cuidado se o investimento mais estratégico está no exterior ou no próprio Brasil, pois muitas vezes as melhores oportunidades estão mais próximas do que imaginamos. De todo modo, os EUA representam a maior economia do mundo, com um mercado consumidor gigantesco. Portanto, é sempre recomendável manter o mercado americano no radar.
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