Já discutimos aqui nesta sessão o que vem a ser a Internet das Coisas (IoT – Internet of Things), que envolve dispositivos conectados para monitorar, gerenciar e atuar em diversas aplicações capazes de modernizar e automatizar serviços, elevando a qualidade de vida da população e tornando as cidades mais modernas e eficientes.
Mas o que aconteceria se levássemos esse conceito também para o setor de saúde? Como poderíamos usar a tecnologia para elevar o padrão de qualidade de vida das pessoas? A resposta está nos wearables, dispositivos criados para serem utilizados por pacientes que necessitam de acompanhamento médico prolongado. Esses sensores são voltados para o monitoramento de sinais vitais do usuário, gerando dados que poderão ser posteriormente analisados por equipes médicas, auxiliando na detecção de condições específicas e possibilitando um tratamento mais adequado.
Essa será a próxima revolução tecnológica que veremos em um futuro próximo: a chamada Internet of Medical Things (IoMT). Ela trará uma mudança significativa na forma como os tratamentos são gerenciados e aplicados. Exames que hoje são realizados em clínicas, em um curto período de tempo — geralmente de 30 minutos a 1 hora — poderão ser substituídos por dados coletados continuamente, 24 horas por dia.
Alguns aparelhos já estão disponíveis no mercado, e os utilizamos sem perceber o potencial inserido nessas tecnologias. Um exemplo são os smartwatches, capazes de monitorar o batimento cardíaco. Já existem grupos desenvolvendo aparelhos que possam medir a pressão arterial de forma semelhante, o que tornará o acompanhamento da pressão muito mais eficaz do que as medições pontuais realizadas apenas em ambiente hospitalar.
Evidentemente, o exemplo dos smartwatches está mais ligado ao uso recreativo desses sensores, sendo muito aplicados no esporte amador. Esse segmento é comercialmente mais interessante, uma vez que não há necessidade de aprovação por órgãos reguladores, o que acelera a popularização das tecnologias no mercado de varejo. Já o desenvolvimento de dispositivos clínicos exige o cumprimento de critérios rigorosos estabelecidos por agências de saúde e deve estar vinculado a prescrições médicas que justifiquem seu uso.
Ainda assim, embora sujeitos a processos mais complexos para liberação e uso, o futuro dos biossensores é promissor, com potencial para revolucionar a detecção de doenças em estágios iniciais, proporcionando diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes. Imaginemos, por exemplo, o uso de um sensor posicionado na testa do paciente, capaz de realizar leituras compatíveis com um eletroencefalograma. Tal dispositivo seria extremamente útil no acompanhamento de pacientes em recuperação de um derrame. O mesmo tipo de aparelho, utilizado continuamente, poderia indicar variações que antecipem a detecção de doenças como o Mal de Alzheimer. Sensores semelhantes a um band-aid poderiam ser colocados na testa do usuário, enviando sinais a um dispositivo conectado — como um celular — e transmitindo os dados para a nuvem, onde seriam analisados por equipes médicas especializadas.
Outra questão de saúde bastante grave é o diabetes. Pacientes diabéticos frequentemente apresentam feridas nos pés com cicatrização lenta e difícil. Seria possível melhorar esse processo de cura de alguma forma? A resposta é sim. Se pudermos monitorar fatores como oxigenação, circulação sanguínea e presença de bactérias, poderemos identificar a necessidade de ajustes no tratamento — como a troca do antibiótico, a frequência de limpeza ou a substituição de curativos. Um sensor capaz de monitorar a umidade e a acidez da superfície da ferida poderia se comunicar, via protocolo sem fio, com um aplicativo de celular que coletaria os dados e enviaria alertas sobre o momento ideal para a troca do curativo. Essa tecnologia poderia salvar muitos pacientes e evitar amputações, que infelizmente ainda são comuns em casos graves de diabetes.
O cenário que vislumbramos para o futuro ainda depende de muita pesquisa e do desenvolvimento de materiais flexíveis, capazes de se moldar à superfície da pele, além de baterias miniaturizadas, tecnologias de transmissão de dados wireless e sistemas seguros de armazenamento em nuvem. Mesmo assim, o futuro é promissor — e a maneira como tratamos nossos pacientes está prestes a mudar. Que esse futuro chegue logo!

A Florida Review é mais do que uma revista, é uma entidade cultural com mais de quatro décadas de história, fundada por Chico Moura e fortalecida sob a liderança de Rodrigo Lisboa Soares. Desde o final dos anos 1980, expandiu seu impacto dentro e fora dos Estados Unidos, consolidando-se como referência editorial e ponte entre culturas. A Florida Review serve hoje a mais de um milhão de brasileiros ao redor do mundo, promovendo informação responsável, pensamento crítico e iniciativas filantrópicas que valorizam a identidade e a diversidade brasileira. Guiada por um compromisso inegociável com a verdade, livre de viés ou partidarismo, nossa missão é oferecer conteúdo relevante, atual e consciente que informa, conecta e inspira. Não somos apenas uma publicação digital: somos um patrimônio vivo da comunidade brasileira no exterior.