Em sua décima participação na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, o Brasil finalmente subiu ao pódio — e no lugar mais alto.
Lucas Pinheiro Braathen venceu o slalom gigante do esqui alpino e garantiu a primeira medalha olímpica de inverno do país. O brasileiro foi o mais rápido já na primeira descida, com 1min13seg92, abrindo 0seg95 de vantagem sobre o suíço Marco Odermatt, líder da Copa do Mundo e atual campeão da prova.
Na segunda descida, Lucas confirmou o desempenho dominante ao completar os 1.448 metros da pista do Centro de Esqui de Estelvio, em Bormio, em 1min11seg08. O tempo combinado assegurou o ouro, com 0seg58 de vantagem sobre Odermatt, que ficou com a prata. O bronze foi para outro suíço, Loïc Meillard.
A conquista é histórica em múltiplos níveis: trata-se da primeira medalha olímpica de inverno do Brasil, da América do Sul e de um país latino-americano. Nas Américas, apenas Estados Unidos e Canadá haviam conquistado medalhas nas 25 edições anteriores dos Jogos de Inverno.
Da Noruega ao Brasil: a trajetória
Nascido em Oslo, na Noruega, filho de mãe brasileira, Lucas iniciou sua trajetória no esqui ainda criança. Apesar de sonhar em ser jogador de futebol — inspirado por ídolos como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho — foi nas montanhas norueguesas que encontrou seu verdadeiro caminho.
Integrando a equipe da Noruega desde a adolescência, tornou-se um dos principais nomes do esqui alpino mundial. Conquistou pódios importantes na Copa do Mundo e venceu o título da temporada de slalom em 2022/2023, garantindo o “globinho de cristal”.
Em 2023, surpreendeu ao anunciar aposentadoria após divergências com a federação norueguesa. Meses depois, decidiu retornar às competições defendendo o Brasil. A mudança foi oficializada em 2024, com apoio da Confederação Brasileira de Desportos na Neve, culminando agora em um feito que redefine os limites do esporte brasileiro — e sul-americano — na neve.
Com o triunfo, Lucas também entregou ao Brasil sua 41ª medalha de ouro olímpica no total, somando as 40 conquistadas nos Jogos de Verão. É ainda o 24º ouro brasileiro em provas individuais na história olímpica.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
