A história do voto feminino não foi um evento único, mas uma “onda” longa e persistente que exigiu décadas de ativismo, protestos e, em muitos casos, sacrifícios extremos. Foi a transição da mulher de “propriedade” ou “sujeito passivo” para cidadã plena.
Aqui está um panorama dessa trajetória:
Os Primeiros Passos
Diferente do que muitos pensam, o movimento não começou de forma global. Ele floresceu primeiro em nações periféricas e estados individuais.
- Nova Zelândia (1893): Foi o primeiro país autogovernado a garantir o direito ao voto para todas as mulheres, graças à liderança de Kate Sheppard.
- Austrália (1902): Seguiu logo depois, embora o direito tenha demorado muito mais para ser estendido às mulheres indígenas.
- Finlândia (1906): Foi a pioneira na Europa e a primeira no mundo a permitir que mulheres também fossem eleitas ao parlamento.
As Sufragistas e a Grande Guerra
No início do século XX, o movimento ganhou força no Reino Unido e nos EUA. É aqui que surge a distinção entre:
- Sufragistas (Suffragists): Defendiam a mudança por meios pacíficos e petições.
- Suffragettes: Lideradas por Emmeline Pankhurst no Reino Unido, adotaram táticas de ação direta (quebra de vidraças, greves de fome) sob o lema “Actions, not words” (Ações, não palavras).
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi um divisor de águas. Com os homens no front, as mulheres assumiram as fábricas e a economia. Ficou impossível negar a elas o direito de decidir o futuro do país que elas estavam mantendo de pé.
- Reino Unido: Voto parcial em 1918 (para mulheres acima de 30 anos com propriedades) e pleno em 1928.
- EUA (1920): A 19ª Emenda à Constituição proibiu a negação do voto com base no sexo.
O Cenário no Brasil
O Brasil foi pioneiro na América Latina, mas o processo foi gradual:
- 1927: O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado a permitir o voto feminino. Celina Guimarães Viana foi a primeira eleitora do país.
- 1932: O Código Eleitoral de Getúlio Vargas garantiu o voto feminino nacional.
- 1934: O direito foi consolidado na Constituição.
- Importante: Na prática, o acesso ao voto era restrito a mulheres alfabetizadas, o que excluía a grande maioria da população feminina negra e pobre na época.
Cronologia das Conquistas
| País | Ano do Sufrágio Feminino |
| Nova Zelândia | 1893 |
| Noruega | 1913 |
| Alemanha | 1918 |
| Brasil | 1932 |
| França | 1944 |
| Suíça | 1971 |
| Arábia Saudita | 2015 |
O Desafio Atual: Ocupar os Espaços de Poder
Conquistamos o direito de votar, mas a luta agora é para sermos votadas. Precisamos de mais mulheres nos espaços de decisão, elaborando leis e implementando políticas públicas que reflitam as nossas reais necessidades.
Exercer a cidadania é usar o nosso voto como instrumento de transformação. Afinal, juntas somos mais fortes e essenciais na construção de um país mais justo e solidário.
No Brasil, vivemos um fenômeno curioso e desafiador: embora as mulheres sejam a força majoritária nas urnas, elas ainda são uma minoria nos centros de poder. Existe um “abismo” entre a capacidade de decidir quem governa e a ocupação efetiva desses cargos.
Barreiras e Desafios
Por que a maioria feminina nas urnas não se traduz em maioria nos cargos?
- Candidaturas Laranjas: Partidos muitas vezes usam nomes de mulheres apenas para cumprir a cota obrigatória de 30% de candidaturas femininas, sem dar apoio real ou verba.
- Financiamento de Campanha: Embora a lei exija a reserva de 30% dos fundos eleitorais para mulheres, a distribuição interna nos partidos ainda privilegia nomes masculinos já estabelecidos.
- Violência Política de Gênero: Ataques morais, ameaças e desqualificação intelectual afastam muitas mulheres da vida pública.
- Jornada Dupla: A carga de trabalho doméstico e cuidado com a família ainda recai desproporcionalmente sobre as mulheres, dificultando a dedicação à carreira política.
O que esperar para 2026?
As eleições gerais de 2026 (Presidente, Governadores, Senadores e Deputados) serão um marco para testar a eficácia das novas regras de combate à violência política e o incentivo financeiro (onde votos em mulheres e negros contam em dobro para o cálculo do fundo partidário).
