Deixa eu contar para vocês uma conquista desse ano: finalizei a leitura do meu primeiro livro. E isso não é sobre números, sobre quantos livros li. É sobre iniciativas e acabativas.
Ano passado, por inúmeros fatores, não consegui finalizar nenhum livro. Iniciei vários. Alguns por prazer, outros em busca de referência a trabalho, mas não deixei de ler. Só não finalizei os que iniciei. (aliás, não que eu lembre).
Me propus, neste ano, finalizar tudo. Leituras, projetos, enfim, tudo o que começar. Sei que não vai ser fácil, afinal de contas a rotina engole a gente, ainda mais agora com a maternidade. E não é brincadeira.
Num ano em que a literatura está na moda, eu me propus voltar pro meu eu, para aquela Leticia que se escondia para ler, que fingia estar arrumando o quarto ou que virava noites fazendo o que ama, lendo, e viajando para conhecer o mundo. Voltar pra essa Leticia não é nostalgia, é uma espécie de reconexão. É lembrar que a leitura sempre foi meu jeito de respirar com profundidade. Meu lugar de silêncio. Meu treino de comunicação, imaginação e de linguagem. Um refúgio e, ao mesmo tempo, um laboratório.
E talvez essa seja a parte mais interessante para mim, pois não é “voltar” como quem retorna para um passado “perfeito”, mas trazer meu eu leitora para dentro do que eu existo hoje, com maternidade, prazos, demandas, mundo real e lista de compras. É como se eu dissesse para mim mesma: tu não precisas desaparecer para ler. Tu podes existir inteira, mesmo que em capítulos menores.
Falei que literatura está na moda? Sim, está. As pessoas estão consumindo muito booktok, resenhas, dicas de livros, conhecendo histórias por meio de influencers. E eu acho ótimo que o livro tenha voltado a circular e que seja democratizado. Tem algo de simbólico aí que merece atenção: num mundo tão acelerado, em que perdemos horas rolando telas de aparelhos, o “livro” enquanto objeto reaparece quase como um sinal de status emocional, uma tentativa de reconquistar profundidade, lembrando que há também uma simbologia de intelectualidade no “ler”. Mas nesse ínterim, a leitura virou também imagem, vídeo, trend, prateleira bonita, frase sublinhada, lista de “os 10 que você precisa ler” (e eu confesso que curto bastante).
Esse é um fato cultural importante, porque por muitos anos o livro ficou com cara de coisa “fora do tempo”, de grandes intelectuais, meio deslocado do ritmo das telas. Agora ele reaparece como objeto de desejo. E não só como conteúdo, mas como símbolo de profundidade, de inteligência, de sensibilidade e de pertencimento.
Mas ler é diferente. É um momento tão íntimo que exige entrega, desacelerar, paciência. E é aqui que essa conquista, pra mim, se engrandece: finalizar um livro, depois de um ano é mais do que terminar uma história. É recuperar uma musculatura e ver que eu não estou condenada a viver só de inícios. Que é possível atravessar o meio do caminho, que é onde a vida geralmente mora. No caminho, na travessia.
E já que estamos falando de literatura, vale dar uma olhada nas campanhas de marcas como a Dior e a Coach, e ver como elas trazem os livros para seus produtos. Dior para bolsas, com clássicos, Coach com chaveiros com livros reais. 12 também clássicos, alguns mais contemporâneos, buscando atingir um público mais jovem.
A realidade é que está todo mundo cansado das redes sim, que uma nova geração vem buscando se encontrar em tribos literárias, que ler continua sendo símbolo de inteligência. São muitos assuntos que eu poderia abordar aqui.
Mas hoje eu só queria expressar meu contentamento por uma conquista tão simples, mas tão significativa, diante de dois meses tão pesados, difíceis e exaustivos. E tu, já conquistaste algo esse início de ano?
