A 98ª cerimônia do Academy Awards foi marcada por vitórias históricas, discursos emocionantes e momentos que vão ficar na memória por muito tempo
Se você perdeu a cerimônia do Oscar desta noite no Dolby Theatre, em Hollywood, pode ter certeza: você vai querer ler cada detalhe do que aconteceu. A 98ª edição do Academy Awards foi uma das mais marcantes dos últimos anos — com recordes quebrados, histórias feitas e alguns momentos que arrancaram lágrimas até dos mais contidos.
One Battle After Another domina a noite
O grande vencedor da noite foi One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson, que levou seis estatuetas, incluindo os principais prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e, ainda, o inédito prêmio de Melhor Elenco — uma categoria estreada esta noite pela Academia, a primeira novidade desde a criação do prêmio de Melhor Animação em 2002. O Oscar de Melhor Elenco foi para Cassandra Kulukundis pelo filme. Uma vitória mais que merecida para uma produção que dominou a temporada de premiações.

Sinners e Ryan Coogler emocionam
Sinners, de Ryan Coogler, foi o outro grande destaque da noite, com quatro prêmios. Michael B. Jordan venceu o disputado Oscar de Melhor Ator pelo seu papel duplo em Sinners — sua primeira indicação e primeira vitória na carreira. Ver Coogler no palco foi um desses momentos que a gente não esquece. O próprio Coogler levou o Oscar de Melhor Roteiro Original pelo filme.

Jessie Buckley faz história
Jessie Buckley venceu o Oscar de Melhor Atriz por Hamnet — uma performance poderosa que emocionou o público a temporada toda.
Autumn Durald Arkapaw: um momento histórico para as mulheres

Um dos momentos mais poderosos da noite foi sem dúvida o discurso de Autumn Durald Arkapaw, que ganhou o Oscar de Melhor Fotografia por Sinners — tornando-se a primeira mulher a vencer nessa categoria na história do Academy Awards. No palco, ela dedicou o prêmio à sua mãe e pediu que todas as mulheres presentes na plateia se levantassem, porque, nas suas palavras, não estaria ali não fosse por cada uma delas. Arrepiante.
K-Pop Demon Hunters rouba o show

A animação K-Pop Demon Hunters, da Netflix, foi um dos grandes momentos culturais da noite. O filme levou o Oscar de Melhor Animação e ainda ganhou Melhor Canção Original com “Golden”. A performance ao vivo foi um espetáculo à parte.
Frankenstein conquista os prêmios técnicos
O Frankenstein de Guillermo del Toro brilhou nas categorias técnicas, levando três estatuetas: Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo, e Melhor Direção de Arte.
Os momentos da noite
A cerimônia não faltou em momentos memoráveis fora das premiações. Javier Bardem, ao subir ao palco para apresentar uma categoria, aproveitou o microfone para se posicionar: “No to war” e “Free Palestine” foram suas palavras antes de anunciar os indicados. Durante a performance de “I Lied to You,” música indicada de Sinners, Misty Copeland fez uma aparição surpresa no palco e dançou de forma deslumbrante.
E claro Anne Hathaway e Anna Wintour protagonizaram um dos momentos mais divertidos da noite ao apresentarem juntas um prêmio com um esquete inspirado em O Diabo Veste Prada. Hathaway perguntou o que Wintour achava do seu look, e a editora da Vogue colocou seus óculos escuros, ignorou a atriz completamente e foi direto à leitura dos indicados. Wintour ainda chamou Hathaway de “Emily” o nome da personagem dela no filme. O cinema agradece.
BRASIL NO OSCAR: SEM TROFÉU, MAS COM UM RECADO PODEROSO PARA O MUNDO
A noite de ontem guardou um significado especial para os brasileiros — e não foi pequeno. Pela primeira vez na história, um ator brasileiro foi indicado ao Oscar de Melhor Ator. E não foi só isso: o Brasil também marcou presença na categoria de Melhor Fotografia com outro nome que fez história.
Wagner Moura chegou ao Oscar pelo seu papel em O Agente Secreto thriller político e neo-noir do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, ambientado no Brasil de 1977, durante a ditadura militar. O filme também representou o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional, ao lado de produções da França, Espanha, Noruega e Tunísia, categoria vencida por Sentimental Value, da Noruega. Antes do Oscar, a trajetória do filme já havia sido histórica: O Agente Secreto foi o filme mais premiado no Festival de Cannes, levou o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e o Globo de Ouro de Melhor Ator de Drama tornando Moura o primeiro ator brasileiro a vencer nessa categoria.

Wagner não levou a estatueta — o prêmio foi para Michael B. Jordan —, mas sua presença no Dolby Theatre foi, por si só, um divisor de águas. Antes da cerimônia, ele disse que a indicação representava “o topo da montanha que a gente vinha escalando” e declarou que espera que sua presença mande um recado: “Se aquele cara brasileiro conseguiu chegar aqui, talvez eu também consiga um dia.”
E a presença brasileira não parou por aí. O diretor de fotografia Adolpho Veloso conquistou a primeira indicação ao Oscar de Melhor Fotografia da história do Brasil pelo seu trabalho em Train Dreams, de Clint Bentley. Veloso filmou o longa inteiramente em locações no estado de Washington, usando apenas luz natural e um formato quase quadrado inspirado nas fotografias da era da Grande Depressão — uma escolha visual que traduz, em cada frame, a sensação de memória e pertencimento que o filme explora. A estatueta foi para Autumn Durald Arkapaw, por Sinners — mas a indicação de Veloso já é um marco sem precedentes para o cinema brasileiro.
Dois brasileiros, duas categorias historicamente dominadas por Hollywood, um mesmo recado: o talento brasileiro não pede mais licença para estar no palco mais importante do cinema mundial. Ele simplesmente chega.
Para quem ainda não viu O Agente Secreto, o filme está disponível no Hulu — e vale muito a pena.
Crédito fotos: The Academy

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
