Por Kiki Garavaglia
Nos anos 80, a companhia aérea dos países escandinavos “SAS” resolveram enviar os voos para o Brasil, começando pelo Rio de Janeiro. Convidaram 4 casais que acharam que iríamos divulgar a companhia… Que sorte a minha de ser um dos 4 casais, pois adorei tudo e todos de Stockholm!

Ficamos hospedados no excelente Hotel “Grand Hotel” que ficava em frente do Palácio Real! Da janela do meu quarto, eu via o Palácio! Perto, tinha a linda Prefeitura com uma torre redonda que era a construção mais antiga da cidade. Nesta torre tinha as 3 coroas suecas, as paredes cobertas de heras, e seus jardins, lindos, cheios de estátuas… Almoçamos no excelente restaurante “Fem Sma Hus” (não lembro mais o que significa)!!

No dia seguinte fizemos um passeio de barco pelo arquipélago chamado “Gustafberg VII” e na parte da tarde fomos à região das fábricas de cristais. Claro, ganhamos vários vidros e copos e compramos outras peças… Foi o maior “problema” da viagem toda ter que carregar esses cristais sem quebrar nada…

No outro dia resolvemos ficar na cidade e fazer um tour de charrete com um cavalo bem “punk”, e depois pegamos um pequeno avião para ir ao palácio de uma condessa chamado “Drottningholm”, uma beleza — os jardins esplendorosos pareciam os jardins do Palácio de Versailles… Entramos todos no avião e eis que, por último, entra a Rainha da Suécia! Silvia Sommerlat-Drottning — a mãe dela tinha descendentes brasileiros. Ao entrar no avião, ela reconheceu o Zózimo Barroso do Amaral, famoso jornalista que estava no nosso grupo, e disse que a mãe era fã dele. Super simples e simpática! Claro que ela mandou uma limusine nos pegar no aeroporto para levar ao nosso hotel, e no dia seguinte fomos ao palácio tomar chá com ela e com o marido, o Rei Carl XVI Gustaf… Ambos, muito simpáticos e gentis.

Era verão… Fomos um dia ao parque perto do hotel — nós, sempre com um “casaquinho”, e os suecos todos tomando sol, a maioria, nus! Claro, os maridos não queriam sair dos parques olhando os peitos das lindas suecas… Nós mulheres tivemos que nos contentar em ir às compras!!

Quero voltar a Stockholm ainda nesta vida!!
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
