Na tarde de 24 de junho de 2026, a Venezuela foi sacudida por dois dos terremotos mais devastadores em mais de um século. Os tremores, de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, tiveram epicentro na região de Yaracuy, derrubaram dezenas de edifícios em Caracas e no estado de La Guaira, forçaram o fechamento do principal aeroporto do país e levaram o governo a declarar estado de emergência em todo o território nacional.
Em Caracas, a destruição foi generalizada. Um edifício de 22 andares desabou completamente na zona leste da cidade, no bairro de Chacao — área historicamente suscetível a terremotos. Moradores gritavam nomes de parentes nas ruas, voluntários escalavam escombros e hospitais improvisados foram montados em praças públicas.
Um site criado para rastrear pessoas desaparecidas listava mais de 6.600 nomes logo após as 2h da manhã, horário local. Muitos venezuelanos estavam em casa quando os terremotos ocorreram, no início da noite de um feriado nacional — o que agravou ainda mais o impacto da tragédia.
O mundo respondeu — mas não é suficiente
Países das Américas e de além-mar mobilizaram equipes de busca e resgate e ajuda humanitária. Brasil, Canadá, México, Colômbia, El Salvador, Cuba e Estados Unidos estão entre as nações que responderam ao chamado. O presidente Lula anunciou o envio de um hospital de campo, 36 bombeiros, especialistas em telecomunicações e avaliação de riscos, além de nove toneladas de equipamentos. A Federação Internacional da Cruz Vermelha liberou 2,5 milhões de dólares para apoiar os esforços de recuperação.
Mas a solidariedade dos governos, por mais bem-vinda que seja, não chega a cada família sob os escombros. É aqui que cada um de nós pode fazer a diferença.
Brasileiros na Venezuela: o Itamaraty está prestando assistência
A tragédia também afetou a comunidade brasileira. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos, e informou que está prestando assistência consular às famílias. O plantão consular da Embaixada do Brasil em Caracas pode ser contatado pelo telefone +58 414-372-3337, e em Brasília pelo número +55 (61) 98260-0610. A Embaixada orientou cidadãos brasileiros no país a acompanharem os canais oficiais e manterem atenção às atualizações das autoridades locais.
Americanos na Venezuela: o governo dos EUA oferece assistência
Cidadãos americanos que se encontram atualmente na Venezuela e precisam de ajuda podem entrar em contato com o governo dos Estados Unidos. O Departamento de Estado americano anunciou uma resposta ampla à crise, incluindo suporte consular para americanos afetados pelos terremotos. Para solicitar assistência, acesse state.gov/responding-to-venezuela-earthquakes ou entre em contato com a Embaixada dos EUA. Em casos de emergência, o número de assistência a cidadãos americanos no exterior é o +1-888-407-4747 (gratuito nos EUA) ou +1-202-501-4444 (de fora dos EUA).
Como você pode ajudar agora
Para quem deseja contribuir de forma direta e segura, estas são as organizações que já estão atuando no país:
O The House Project é uma organização com atuação direta na Venezuela, oferecendo suporte às comunidades mais vulneráveis afetadas pela crise. Você pode fazer uma doação em thehouse-project.org.
O Fundo Humanitário da ONU para a Venezuela oferece assistência emergencial em saúde, água, educação e meios de subsistência, por meio de parceiros verificados que trabalham em coordenação com autoridades locais. Doações em crisisrelief.un.org.
O Project HOPE atua na Venezuela desde 2019, tendo realizado mais de 339 mil consultas médicas apenas em 2025. Com mais de 100 funcionários locais já no país, a organização está mobilizando equipes de resposta emergencial para atender às necessidades mais urgentes de saúde após os terremotos. Acesse projecthope.org.
A South American Initiative (SAI), ONG norte-americana com mais de 30 campanhas humanitárias ativas na Venezuela, entrega alimentos, medicamentos e cuidados diretamente a crianças órfãs, pacientes em hospitais, gestantes, idosos e outros grupos vulneráveis. Doações são dedutíveis do imposto nos EUA. Acesse sai.ngo.
O UNHCR (Agência da ONU para Refugiados) também segue operando na região, apoiando venezuelanos dentro e fora do país. Doações em unhcr.org.
Compartilhe. Isso também é ajuda.
Em 2025, o plano de resposta humanitária da Venezuela foi financiado em apenas 17% — o segundo menos financiado do mundo. A Venezuela tem sido, por muito tempo, uma crise esquecida. Falar sobre ela, compartilhar informação confiável e pressionar por mais atenção internacional são formas concretas de mudar esse cenário.
A Florida Review, que há décadas serve de ponte entre as comunidades latinoamericanas da Flórida e seus países de origem, não poderia deixar de levantar essa voz.
A Venezuela não pode esperar.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
