Os americanos podem estar mais perto de se despedir de uma tradição que acontece há décadas: ajustar os relógios duas vezes por ano. A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou o Sunshine Protection Act (H.R. 139) por 308 votos a 117, abrindo caminho para que o país adote o horário de verão (Daylight Saving Time) de forma permanente. Agora, o projeto segue para análise do Senado.
Se a proposta também for aprovada pelos senadores e sancionada pelo presidente Donald Trump, os relógios deixarão de ser atrasados em novembro. Na prática, os americanos manteriam o mesmo horário durante todo o ano, eliminando a tradicional mudança de primavera e outono que há décadas divide opiniões.
O que muda na prática?
Atualmente, grande parte dos Estados Unidos adianta os relógios em uma hora no segundo domingo de março e volta ao horário padrão no primeiro domingo de novembro.
Com o Sunshine Protection Act, o país passaria a operar em horário de verão permanente, oferecendo mais luz natural no período da tarde e da noite durante todo o ano. Estados que atualmente não observam o horário de verão, como Havaí e a maior parte do Arizona, continuariam podendo permanecer fora do sistema. Além disso, cada estado teria a possibilidade de optar por não aderir ao novo modelo.
Por que tanta gente apoia a mudança?
Os defensores da medida afirmam que acabar com a troca de horário traria benefícios para milhões de pessoas.
Entre os principais argumentos estão:
- Eliminação dos impactos causados pela mudança repentina no sono;
- Redução de acidentes de trânsito e de trabalho nos dias seguintes à troca dos relógios;
- Mais tempo de luz no fim da tarde, favorecendo comércio, turismo e lazer;
- Potencial redução da criminalidade em horários de maior circulação de pessoas;
- Maior previsibilidade para famílias, empresas e escolas.
Para estados turísticos como a Flórida, o tema ganha ainda mais relevância. Dias com mais claridade durante a noite costumam estimular atividades ao ar livre, aumentar o movimento em praias, restaurantes, parques, centros comerciais e atrações turísticas, além de beneficiar eventos esportivos e culturais.
Nem todos concordam
Apesar do amplo apoio na Câmara, especialistas em medicina do sono e alguns parlamentares alertam para possíveis efeitos negativos.
A principal preocupação está nas manhãs de inverno. Em diversas regiões do país, o sol poderia nascer apenas por volta das 9h, fazendo com que crianças fossem para a escola e trabalhadores iniciassem o expediente ainda no escuro. Críticos também argumentam que o horário padrão está mais alinhado ao ritmo biológico natural do organismo.
O que falta para virar lei?
Embora tenha recebido forte apoio bipartidário na Câmara e conte com o respaldo do presidente Donald Trump, o projeto ainda precisa superar um obstáculo importante: o Senado.
Uma proposta semelhante chegou a ser aprovada por unanimidade no Senado em 2022, mas acabou não avançando na Câmara naquela ocasião. Desta vez, o caminho é inverso: após a aprovação pelos deputados, caberá aos senadores decidir se o país finalmente encerrará a prática de alterar os relógios duas vezes por ano.
Uma mudança que faz sentido
Independentemente do resultado da votação no Senado, o avanço do Sunshine Protection Act mostra que cresce o consenso de que a troca semestral de horário já não atende às necessidades da vida moderna.
Para um país onde milhões de pessoas trabalham, estudam e aproveitam atividades ao ar livre até o fim do dia, manter mais horas de luz durante a tarde representa ganhos em qualidade de vida, lazer, turismo e economia. A adaptação ao novo horário acontece apenas uma vez, enquanto o fim das mudanças anuais elimina um incômodo que afeta praticamente toda a população.
Se aprovado, o projeto colocará fim a uma tradição de mais de meio século e simplificará a rotina de milhões de americanos. Para estados como a Flórida, conhecidos pelo estilo de vida ao ar livre e pela forte atividade turística, a mudança pode tornar os dias ainda mais aproveitáveis — uma proposta que, para muitos, parece finalmente ter chegado na hora certa.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
