Entre memórias de família, praias caribenhas, história colonial e antigos hotéis, Kiki Garavaglia relembra sua relação com a República Dominicana e uma Santo Domingo que conheceu ainda nos anos 1960.
Texto de Kiki Garavaglia
Florida Review
23 de outubro de 2026
Editoria: Destinos & Viagens | Nossa História
Situada na República Dominicana, no Caribe, Santo Domingo fez parte da minha vida ainda durante um período muito conturbado da história do país.
A República Dominicana foi dominada durante muitos anos pelo ditador Rafael Trujillo. Depois, em 1965, o país viveu uma guerra civil.
Meu pai, professor de Direito Internacional, foi enviado para lá, pois o Brasil havia mandado soldados por meio da OEA, a Organização dos Estados Americanos. Como vimos que ele ficaria muito tempo, nossa família resolveu passar algumas temporadas em Santo Domingo para conhecer aquele lindo país.
Disse “curtas temporadas” porque não podíamos nos locomover muito sem ouvir a frase “Go home, Yankees”, dirigida aos estrangeiros por alguns moradores diante da grande quantidade de soldados de outros países presentes na cidade.
Praias, festas e lembranças de uma época
A cidade é linda e as praias são deslumbrantes.
Minhas preferidas eram Boca Chica e Juan Dolio, com aquele mar translúcido do Caribe.
À noite, minha irmã e eu nos esbaldávamos em festas, danças e conversas com oficiais de vários países que, sem muito o que fazer depois do expediente, se encontravam no Hotel Jaragua, que funcionava como uma espécie de quartel general dos oficiais naquela época.
Muitos anos se passaram e a República Dominicana acabou se transformando em um dos grandes polos turísticos das Américas, com excelentes resorts, belas casas e muita história.
Um centro histórico preservado
Santo Domingo é conhecida por sua importância na história da colonização espanhola nas Américas, e sua população soube preservar o centro histórico, com construções marcadas pela arquitetura em pedra.
Um dos magníficos exemplos é o Alcázar de Colón, residência erguida por Diego Colombo, filho de Cristóvão Colombo, em 1510.
A casa é muito diferente e um dos detalhes mais interessantes é sua técnica de construção, marcada por estruturas de encaixe.
Outro endereço histórico é a Calle Las Damas, uma das vias mais tradicionais da parte antiga da cidade.
Já uma das áreas mais divertidas era El Conde, uma rua de pedestres com vários bares, cafés, lojas de souvenirs e locais onde se encontravam os famosos charutos dominicanos, considerados por muitos apreciadores como concorrentes dos tradicionais charutos cubanos.
Resorts e o Caribe dominicano
A cidade possui áreas costeiras, mas muitos dos resorts mais luxuosos ficam afastados do centro e ajudam a transformar a República Dominicana em um dos destinos turísticos mais procurados do Caribe.
Um dos nossos lugares favoritos era, em Barahona, o Casa Bonita Tropical Lodge.
O hotel tinha apenas 12 cabanas e ficava no alto de uma montanha, em plena floresta tropical, com vista para o lindo mar do Caribe.
Talvez hoje o hotel tenha mudado, ou até mesmo de nome, mas guardo aquela experiência com muito carinho.
Outro famoso era o Casa Colonial Beach & Spa, na Playa Dorada.
Um país que ficou na memória
Vale a pena conhecer a República Dominicana.
O país já nos encantava quando estivemos lá e imagino que hoje ofereça ainda mais opções de resorts, experiências e lugares para descobrir.
Santo Domingo reúne história, arquitetura e uma identidade cultural muito própria, enquanto as praias e paisagens do restante do país revelam aquele Caribe que permanece na memória de quem teve a oportunidade de conhecê lo.
Para mim, ficou a lembrança de uma República Dominicana vivida em diferentes momentos da vida, entre uma época histórica difícil, as temporadas em família, as praias de águas transparentes e uma cidade que já carregava séculos de história.
Um verdadeiro paraíso com muito a oferecer aos turistas.
Kiki Garavaglia

Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeus.
Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
