Texto de Kiki Garavaglia
Considero a Sicília, no sul da Itália, um lugar muito interessante, repleto de histórias centenárias e com várias cidades lindas — cada uma mais fascinante que a outra!
Agrigento foi uma enorme surpresa. Eu nunca tinha ouvido falar dessa cidade e de seu passado… grego!
Fomos de carro até lá e estacionamos a poucos metros do que restava de uma cidade greco-romana, com magníficas colunas dóricas e jônicas milenares. Iniciamos o passeio pelo que restou de um enorme anfiteatro; depois, seguimos para os vestígios de um palácio com gigantescas estátuas de escravos, como se estivessem sustentando o templo. Fomos caminhando pela cidade, cada vez mais maravilhados com o que víamos: o Templo da Concórdia, os Jardins de Kolymbethra, o Museu Arqueológico Pietro Griffo, entre outras maravilhas…
Inicialmente, Agrigento era um pequeno vilarejo na longínqua Sicília, mas foi se desenvolvendo até se tornar uma grande e poderosa cidade do Mediterrâneo. Para os gregos, era chamada de Akragas, e para os romanos, Agrigentum.
Foi fundada no ano 581 a.C., perto da costa do mar, o que facilitava o comércio com Rodes, Creta e Cartago.
No primeiro período, o tirano Falaris construiu muralhas, comprou máquinas de guerra e foi conquistando terras e povos. Ficou famoso pelas torturas que infligia aos seus inimigos, como o infame Touro de Bronze, onde colocava os desafortunados dentro da estátua e os cozinhava vivos.
Já em 477 a.C., sob o comando de outro tirano, Terone, viveu-se o chamado “século de ouro” de Agrigento. Restaram ruínas de vários templos, teatros, a igreja com os túmulos de Terone e de Hércules, a Igreja de São Nicola e a Iklésia, a assembleia onde aconteciam os julgamentos.
O povo grego tinha uma verdadeira fixação por esportes, festivais e rituais. Um deles era bastante curioso: o Tesmofória, em honra à deusa da fertilidade, acontecia de 9 a 13 de outubro e apenas mulheres casadas podiam participar. O objetivo era aumentar sua sexualidade: agachadas num gramado, elas esfregavam suas partes íntimas em “plantinhas eróticas”! Homens que tentassem espiar o ritual eram mortos na hora…
O sítio arqueológico de Agrigento é imenso e vale muito a pena visitar. Ficamos até o pôr do sol — também deslumbrante!
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
