Claudia Zogheib
Na década de 70 uma familia muda para outra cidade, sentido a princípio pela filha adolescente como algo ruim, mas a maneira como os pais a educam facilita sua colaboração aceitando a mudança mesmo descontente.
Com medo e cheia de insegurança ela se lança nesta nova aventura, e sua escola assim como os novos amigos são encarados por ela com timidez e ao mesmo tempo com coragem.
Nos entremeios das cenas do filme ela estabelece diálogos com Deus, buscando compreender o que se passa, tentando encontrar respostas assim como ensaiando suas próprias atitudes.
Seu pai é judeu e sua mãe católica, mas eles entendem que devem deixar a filha escolher se quer seguir “alguma” ou mesmo qual religião quando adulta e os diálogos de Margareth com Deus tentam clarear suas dificuldades, sobretudo buscando aliviar suas questões, questionando atitudes ao observar como as pessoas agem, percebendo incoerências mas tentando agir conforme suas próprias convicções, podendo ser entendido também como uma conversa dela com ela mesma na busca de entender o que se passa e como deve agir.
As dúvidas e medo do primeiro beijo, da primeira menstruação, o primeiro sutiã, assim como curiosidade com relação a anatomia feminina e masculina é trazido no filme como ponto importante, e como sua escola, família e amigos agem diante das mudanças nos dá uma sensação de vivência coletiva enquanto facilitam e crescem juntos de maneira viva e autenticada.
Uma das coisas mais lindas do filme na minha opinião é quando ela questiona suas próprias atitudes e passa a partir de então acolher os amigos excluídos se colocando no lugar deles.
Crescendo Juntas é um acerto coletivo desde o elenco até o enredo, e Abby Ryder Fortson traz um frescor a personagem, uma menina em constante dúvida a respeito de suas atitudes e que reproduz as sutilezas do cotidiano como ninguém.
O filme está disponível no Amazon Prime e no HBO Max e foi eleito pela revista Time como um dos melhores filmes de 2023. Vale a pena assistir!
Música “Littles Thing” com Lily Allen, Alright, Still
Foto HBO Max ©

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.