Texto de Kiki Garavaglia
Me lembrei de escrever sobre um pequeno país abaixo da Sicília, com um passado fascinante e que poucas pessoas visitam: Malta! O solo e as construções dessa ilha são de uma pedra cuja cor varia entre o bege e o dourado. É um arquipélago que parece resplandecer ouro.

As três principais ilhas — Malta, Gozo e Comino — existem desde o período Neolítico, há mais de 7 mil anos. Os templos Gantijas (Hagar Qim, Tarxien, Gozo e outros) foram construídos centenas de anos antes das pirâmides de Gizé, no Egito! Já no século XVI, Malta abriu oportunidades de comércio por causa da posição estratégica no Mediterrâneo, enriquecendo e atraindo a cobiça dos turcos otomanos. Durante anos houve guerras sanguinárias, mas o povo maltês resistiu. Em 1565, já livres do inimigo, Malta entrou num período de esplendor: muitos prédios foram erguidos e a nova fortaleza-cidade — e capital do país — foi nomeada Valletta.

Foram anos de tranquilidade até a chegada de Napoleão Bonaparte, em 1798. Malta se tornou “francesa”. A Inglaterra, revoltada com a invasão, enviou sua Marinha para, ao comando do famoso Lord Nelson, expulsar os generais. Assim, Malta virou “inglesa”. Finalmente, em 1964, obteve sua independência e passou a fazer parte da União Europeia.
Fomos no final de novembro, passeando pelas ruas, admirando monumentos, catedrais renascentistas e palácios barrocos, além da mistura de raças e culturas. A maioria das praias é de pedra e os banhos de mar são feitos pelos rochedos. Passeando de barco, repara-se nas pedras que formam esculturas naturais. Para quem gosta de mergulhar, é deslumbrante: cheio de recifes, baías e cavernas — tem até uma gruta azul chamada Wied iz-Zurrieq.
A ilha tem todo o conforto de uma cidade europeia. O verão é muito quente, e o inverno é gostoso, com um ventinho perfeito! Nas três ilhas principais existem vários hotéis — ficamos no excelente Xara Palace Relais & Chateaux, que tem um ótimo restaurante.

Para quem gosta de história, arquitetura e mistura de culturas, vale a pena ir. Caminhar pelas ruelas é sentir-se em vários países ao mesmo tempo: passeando por Londres; por uma cidade italiana barroca; entrando num palácio renascentista que lembra a França; virando a curva da rua e, de repente, encontrando um país árabe, com suas medinas e mesquitas; indo até as ruínas Gantijas… é uma sensação de estar no Egito!
Malta é um país muito especial — no mesmo lugar, é como estar em vários países ao mesmo tempo.
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