Texto de Kiki Garavaglia
Estava no sul da Itália quando decidi conhecer Palermo, capital da Sicília. Confesso que sempre achei a cidade feia, sem nada a acrescentar. Que engano o meu! Atendendo ao convite insistente de amigos, embarquei nessa visita. Diziam que era imperdível: palácios, museus, catedrais, igrejas, catacumbas… E não é que tinham razão?
Minhas descobertas foram fascinantes. O Palácio dos Normanni é simplesmente deslumbrante. Construído sobre uma antiga fortificação púnica, foi residência dos normandos e depois transformado em Palácio Real da Sicília. Seu maior tesouro é a Cappella Palatina, famosa pelos mosaicos que brilham como se fossem joias.
A Catedral de Palermo surpreende pela mistura de estilos: muçulmano, gótico, românico, renascentista e até contemporâneo, refletindo a diversidade de povos que marcaram a cidade. Já o Palácio da Zisa, antiga cabana de caça do século XII, guarda preciosidades da arte islâmica. E as Catacumbas dos Capuchinos impressionam com seus mais de oito mil corpos mumificados, muitos preservados em cores e expressões quase intactas.
Mas o que mais me encantou foi o Palácio Gangi, de 1750, ainda habitado pelo príncipe Giuseppe Mantegna, príncipe Gangi. As visitas precisam ser agendadas, e é fascinante ver como os salões ganham vida graças à presença periódica da família. Foi ali que Luchino Visconti filmou a icônica cena do baile em O Leopardo (Gattopardo), iluminada por mais de três mil velas em lustres de cristal de Murano. No piano Steinway do salão repousam fotos de várias gerações da família e uma partitura datada de 1800.
Outro destaque foram os mercados populares, vibrantes de energia: Vucciria, Borgo Vecchio, Capo, Piazza Perani… além da atmosfera oriental da Casbah e dos Souks. Entre achados e sabores, é impossível sair sem lembranças.
Na hospedagem, opções não faltam. O clássico Villa Igiea encanta com sua vista para a baía e o porto de Palermo. Já o elegante Grand Hotel Wagner, no coração medieval, transporta os hóspedes ao luxo do século passado. Quanto à gastronomia, são mais de 500 restaurantes à disposição. Gostei muito do Kursaal Tonnara, localizado no alto de uma colina, mas nada superou o jantar no terraço do príncipe Toti (Salvatore) Corleone. Vale lembrar que ele nada tem a ver com os mafiosos do cinema. Além da culinária impecável, a residência é um museu vivo de obras de arte. Até o banheiro é uma atração à parte: com sofá, cortinas de veludo azul-marinho e detalhes em prata, mais parece uma sala de estar.
Enfim, visitar Palermo foi uma experiência surpreendente. Uma cidade que eu subestimava revelou-se uma verdadeira joia, um destino que recomendo a todos que desejam se encantar com história, arte e cultura.
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
