As ilhas gregas, muitos conhecem. Mas poucos conhecem essa pequena ilha…

Em um dos passeios de barco pelas ilhas, o capitão nos avisou que iríamos a Monemvasia. Nunca tínhamos ouvido falar. Quando chegamos ao porto, ele apontou para uma cidadezinha encravada no meio de uma montanha, no Peloponeso — que, aliás, não é mais uma ilha, já que foi construída uma ponte ligando ao continente.
Monemvasia foi construída durante o Império Bizantino, no topo de um rochedo. Hoje em dia, os carros ficam em um estacionamento externo, pois apenas pedestres entram na cidade, e em número limitado por vez.

Suas casinhas são feitas de pedra e mármore rosáceo e, na verdade, a cidade é praticamente uma única ladeira que vai subindo até o topo da montanha. A maioria das casas pertence a veranistas e costuma ficar fechada, mas é impossível não notar os lindos detalhes: cortinas de renda branca, portas de bronze, flores — muitas flores — em vasos gigantes no chão e nas janelas. Algumas casas até deixam seus ombrellones (barracas de praia) nos pátios. Poucos moradores vivem ali; a maioria reside no continente.
Monemvasia possui apenas duas praias, Piro e Ambelakia, além de um pequeno porto e uma rua mínima de comércio, com lojinhas delicadas, delicatessens e pequenos cafés e restaurantes voltados aos turistas.

No final dessa ladeira de pedestres, chega-se ao ponto mais alto da cidade: o pátio de um convento, de onde se vê o pôr do sol mais procurado de todas as ilhas gregas. Um gigantesco sol laranja, dourado e amarelo se põe no meio de um mar iluminado pelo seu reflexo. Nesse momento, todos ficam estáticos, em silêncio, como se estivessem reverenciando essa beleza mágica.

Perto do convento, há uma igrejinha ortodoxa, cuja parte frontal data do século XI. O ambiente é tomado pelo cheiro delicioso de velas de cera de abelhas e por lindos ícones bizantinos. Saímos extasiados e fomos jantar um delicioso peixe fresco em um dos aconchegantes bistrôs. Depois, voltamos para nosso barco, todos em silêncio, ainda sob a emoção da beleza dessa aldeia perdida no sul da Grécia, com o mais lindo pôr do sol.
Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeu, deixando elas com os avós. Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste Asiático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
